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SOJA: Preços no BR serão sustentados pela demanda intensa e ajuste na oferta

Nesse quadro, o especialista acredita que o produtor ainda deverá encontrar boas oportunidades de novas vendas ao longo do ano.

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20 de Abril de 2018 às 16:22

SOJA: Preços no BR serão sustentados pela demanda intensa e ajuste na oferta

FOTO: (Ilustrativa)

Com baixos estoques de passagem e estoques finais que serão quase inexistentes este ano, os preços da soja têm potencial para sustentar bons patamares no mercado brasileiro. "Vamos terminar 2018 praticamente sem soja no Brasil", diz o consultor em agronegócio Ênio Fernandes, da Terra Agronegócios. 

 

Nesse quadro, o especialista acredita que o produtor ainda deverá encontrar boas oportunidades de novas vendas ao longo do ano. Nesta semana, com o dólar testando leves baixas - tal qual as cotações em Chicago - e os prêmios mais acomodados, o produtor voltou a se retrair e o ritmo das vendas diminuiu.

 

Ainda como explica Fernandes, tanto esmagadores quanto exportadores estão conseguindo boas margens de renda neste momento e as perspectivas é de que durante todo este ano os negócios permaneçam aquecidos. O Brasil, afinal, deverá exportar algo entre 70 e 71 milhões de toneladas, além de esmagar entre 43 e 44 milhões. 

 

Essa demanda intensa pelo produto brasileiro - que já estimula uma disputa entre as demanda interna e para exportação - fez com que, este ano, os preços da soja no mercado brasileiro se descolassem mais cedo das referência de Chicago do que o que tradicionalmente acontece. Reflexo disso foram os prêmios batendo em US$ 1,90 acima das cotações praticadas na CBOT.

 

Assim, ainda como explica Fernandes, os produtores terão de cruzar os números e as novas informações que chegam daqui em diante para identificar essas novas e melhores oportunidades de comercialização que serão reportadas no cenário nacional. 

 

Ao considerar os preços base porto para a soja, os pontos altos do ano ficaram entre R$ 87,00 e R$ 88,00 por saca, contra níveis próximos dos R$ 85,00 observados durante esta semana. "De agora em diante, a tendência é mesmo de uma acomodação", acredita o consultor Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting. "E os produtores têm vendido, têm aproveitado", completa. 

 

Para o especialista, uma disparada do dólar poderia ser um dos combustíveis para uma mudança mais brusca dos preços no mercado nacional neste momento. 

 

Assim, afirma ainda que "estamos vendo uma acomodação de câmbio, podendo voltar aos patamares de R$ 3,20 / R$ 3,25, que é a lógica de trabalhar nas próximas semanas sem novidades no quadro de escândalos do Braisl. E dentro desses níveis, é um mercado de porto nos R$ 85,00, com as posições de Chicago na faixa dos US$ 10,30 aos US$ 10,40. Os prêmios também se acomodaram, mas se acomodaram na alta".

 

Interior do Brasil

 

No interior do Brasil os preços também se mantêm fortalecidos, apesar de algumas baixas observadas nos últimos dias. Ainda segundo Ênio Fernandes, há bons valores sendo registrados no interior de Mato Grosso, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul. Em Rondonópolis, os preços atuam na casa dos R$ 70,00 e até algo acima desse nível, ou no interior do estado gaúcho com o valor da saca superando os R$ 80,00 por saca. 

 

Em Primavera do Leste, também em Mato Grosso, os preços ficam próximo dos R$ 70,00 e trazem boa margem aos produtores neste momento. Segundo o delegado da Aprosoja MT, Jair Guariento, os produtores têm, no entanto, reduzido o volume de vendas e aguardam por uma melhora nas cotações. "Eles têm parcelado bastante as vendas, e estando buscando informações sobre o que vai acontecer a partir de agora". 

 

Em Sorriso, de acordo com o produtor rural Laércio Pedro Lenz, a situação é semelhante e os preços atuais oscilam perto de R$ 68,00 por saca. "A demanda está muito agressiva, mas o produtor não vende agora, ele espera por preços melhores", diz. "Na semana passada, se comercializou muito".

 

Como relatou o produtor rural Rudimar Borgelt, na região de Chapadão do Sul, em Mato Grosso do Sul, muitos negócios foram registrados nos últimos dias e agora o sojicultor "tira um pouco o pé do acelerador", evitando novas vendas. Os indicativos na região se aproximam dos R$ 72,00 por saca, com os compradores ainda muito ativos. 

 

Entretanto, Borgelt afirma ainda que a margem do produtor local não mudou de forma tão significativa, uma vez que os custos de produção e com logística subiram quase que na mesma proporção e acabaram neutralizando parte das altas vistas nos preços da soja. 

 

No Rio Grande do Sul, região de Carazinho, a semana foi de poucos negócios e os novos acontecendo somente para o produtor que vê seus compromissos financeiros vencendo nos próximos dias, como explicou o vice-presidente do Sindicato Rural do município, Paulo Vargas. "Vai depender muito de cada produtor", diz. 

 

Nesse momento, os preços testam algo entre R$ 80,00 e R$ 80,50 por saca na região. 

 

Em Balsas, no Maranhão, os indicativos têm variado de R$ 73,00 e R$ 75,00 por saca, com a demanda forte pela soja local e bons negócios sendo efetivados, como relatou o produtor Valério Mattei. 

 

"Os produtores estão aproveitando esses bons preços e já estão fazendo negócios também para a safra nova", explica. 

 

E esssa é uma posição acertada, ainda segundo Vlamir Brandalizze. "Com as posições que temos hoje - dentro desses patamares de valores e prêmios - são posições boas para fazer futuros e garantir a soja 2019. Elas dão lucratividade em quase todas as regiões do Brasil e o produtor ainda pode fazer boas relações de troca. E ele tem que começar a fazer esse movimento", orienta o consultor.  

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