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Discos voadores preferem a América quando visitam a Terra

O Notícias Populares publicou uma série de textos sobre ovnis nos anos 1960

FOLHAPRESS

9 de Março de 2018 às 14:51

Discos voadores preferem a América quando visitam a Terra

FOTO: (Divulgação)

Em nenhuma outra época, a humanidade voltou o olhar com tanto interesse para o Universo como na década de 60. Os projetos Mercury, Gemini e Apollo colocaram os termos Nasa, astronauta, missão tripulada, órbita e foguete na ordem do dia e na boca do povo. Se viajar para a Lua e os planetas próximos era possível para os homens, será que outras populações do cosmos também poderiam vir até a Terra um dia? Ou já estariam entre nós?

 

Desde que foi fundado em 1963, o Notícias Populares deu atenção aos rumores sobre objetos estranhos singrando os céus do planeta. Entre o final de agosto de 1965 e março do ano seguinte, o jornal concedeu amplo espaço às notícias a respeito de naves que nos visitavam aos montes, provavelmente pilotadas por marcianos. Testemunhas oculares e cientistas, reais ou fictícios, falavam em discos voadores dos quais às vezes desciam seres estranhos.

 

A série de reportagens se iniciou em 25 de agosto de 1965 com a informação de que um disco voador descera na Cidade do México nas cercanias de um instituto politécnico. O óvni foi flagrado por dois estudantes, que o viram decolar pouco depois da aterrissagem –antes, porém, dois homenzinhos de 80 cm desceram da nave e deixaram no chão uma placa de metal com uma mensagem gravada.

 

Um repórter e um fotógrafo locais foram ao ponto de aterrissagem e verificaram que a vegetação ao redor estava toda queimada e havia marcas de um gigantesco tripé no solo. Segundo os estudantes, o disco, que possuía uma cúpula na parte superior, tinha uma espécie de radiador embaixo que permitiu o pouso. A placa de metal foi levada para o instituto politécnico vizinho e nunca mais se ouviu falar dela.

 

 

Dos discos, no entanto, ficamos sabendo muito mais. No dia 26, o "NP" trouxe a história de quatro caçadores de Tijuana, também no México, que viram uma dúzia dos tais discos.

 

Um dos rapazes, ao ver os objetos luminosos no céu, fez-lhe sinal com uma lanterna pensando se tratar de uma brincadeira inofensiva. A graça acabou quando um dos discos respondeu ao chamado e se aproximou, fazendo os caçadores fugirem, deixando tudo para trás.

 

Depois que mais alguns discos foram avistados naquele país, o jornal reproduziu o comentário de um enviado especial do diário The Miami Herald ao Novo México, afirmando que os extraterrestres provavelmente voltariam logo àquela região dos EUA –que, aliás, já era famosa desde 1947, quando um óvni caiu na localidade de Roswell e foi apreendido em seguida pela Força Aérea norte-americana. A versão oficial dizia tratar-se de um balão meteorológico, mas a explicação nunca convenceu ninguém.

 

 

O correspondente opinava ainda que, "assim como os homens da Terra procuram chegar à Lua e a outros planetas, existe certeza nos meios científicos que investigam os discos voadores de que os seres existentes nesses planetas procuram também chegar à Terra".

 

O problema era saber se os alienígenas eram pacíficos. Em plena Guerra Fria, pairava também o temor de que os discos preferissem visitar a União Soviética e compartilhar com os comunistas, ao redor de um samovar fumegante, os seus segredos tecnológicos.

 

Assim, em 31 de agosto o "NP" botou lenha na fogueira e anunciou: "Russos teriam derrubado um disco na Ásia Central". A reportagem afirmava que, apesar de os russos encararem a história dos discos como treinamentos secretos das Forças Armadas dos EUA, diplomatas naquele país falavam que os soviéticos teriam conseguido forçar o pouso de um óvni na Sibéria, onde o teriam capturado. Verdade ou não, o fato é que os russos não iriam abrir a boca sobre o assunto.

 

Apesar do mistério que cercava o disco siberiano, os ETs pareciam focar suas visitas na América. O surto de avistamentos era tão grande naquele continente que alguns cientistas já levantavam a hipótese de que "os marcianos que se acham nos aparelhos estariam em férias de verão, época mais favorável para o estudo do cosmos". Embora possuíssem tecnologia muito mais avançada que a nossa, tinha-se a ideia de que os marcianos eram seres humanos e compartilhavam conosco a curiosidade sobre o Universo.

 

A partir de setembro de 1965, as notícias sobre avistamentos de óvnis começaram a fluir dos países andinos. Nas proximidades de Quito, no Equador, moradores viram luzes vermelhas nos céus, enquanto que em Arequipa, Peru, um disco foi fotografado quando passava sobre a cidade. Este último, aliás, teria emitido sinais em código morse confirmando que voltaria em 30 dias para desembarcar no mesmo local.

 

Os avistamentos na América Latina eram tantos que Argentina, Brasil, Chile, Peru, México e Venezuela teriam cedido aviões para formar a Polícia Aérea Sul-Americana, segundo informações publicadas pelo "NP" em 10 de setembro. Àquela altura, os aviões da PA já haviam se envolvido em uma batalha nos céus, afugentando a bala alguns discos que pairavam sobre o Peru.

 

O país andino, famoso por suas linhas de Nazca, passou a ser a nação favorita dos alienígenas: em Cuzco e Yungay, as pessoas nem davam mais importância aos fenômenos aéreos, pois os viam quase diariamente, geralmente durante a madrugada. Havia testemunhos sobre homenzinhos de 80 cm caminhando na neve em regiões montanhosas. Em Huancavelica, após um avistamento, foram encontradas cápsulas metálicas contendo milhares de pílulas. Um lavrador corajoso tomou uma delas, e afirmou depois que parecia ter acabado de jantar.

 

 

Finalmente, em 14 de setembro, o "NP" trazia os ETs ao Brasil. Trabalhadores dos seringais amazonenses relataram o avistamento de um objeto misterioso no céu, "uma enorme roda que tinha um brilho intenso, e na frente parecia ter dois olhos, que disparavam luzes e fogo". As testemunhas viram o óvni pousar a cerca de 10 km de onde estavam, mas, com medo, não foram verificar e preferiram correr para avisar as autoridades.

 

Um professor de física do Colégio Militar do Rio de Janeiro, em palestra presenciada pela reportagem, afirmava que "os marcianos chegarão logo". Ele mesmo já vira, de sua residência na Tijuca, um objeto luminoso com a forma de um charuto que apareceu três noites consecutivas.

 

Mas, apesar de todas as previsões de que os marcianos chegariam já em outubro, o assunto esfriou. Depois de uma notícia em 25 de setembro sobre uma cidade mexicana que ficara sem luz por conta do aparecimento de um grande disco voador, o "NP" encerrou uma série quase diária de relatos sobre os óvnis.

 

Entre outubro de 1965 e março de 1966, o tema ressuscitou algumas vezes com reportagens esporádicas. Talvez porque o público já não se encantasse mais com relatos de países que nunca visitaram, o jornal passou a divulgar mais os avistamentos no Brasil. Em um deles, um disco foi visto sobre o mar de Santos e logo desapareceu, indo parar num terreno vazio no Guarujá.

 

Outros discos foram vistos em Pernambuco e nas cidades paulistas de Poá e Ferraz de Vasconcelos –no caso dessas duas, os moradores já haviam se habituado a esperar "a hora do disco voador", tamanha a regularidade com que os óvnis apareciam por lá.

 

Em 8 de dezembro, o "NP" trouxe um artigo diferente, que não falava de avistamentos ou de teorias de cientistas anônimos, mas expunha deliberações a respeito das explorações espaciais. Imaginava-se que "quando, dentro de mais alguns anos, os primeiros homens descerem na Lua, a humanidade festejará a mais extraordinária façanha de toda a sua história e saudará o triunfo dos astronautas, desconhecendo a cor de sua bandeira".

 

Esse momento só chegaria quase quatro anos depois, com o lançamento do Apollo 11 em julho de 1969. Mas em 1965 alguns já davam como certo que a humanidade poria os pés na Lua, e a questão era saber: e depois? Para o "NP", o mais provável é que seriam construídas bases lunares em cúpulas plásticas, mas também era possível que os astronautas encontrassem seres de outros planetas que haviam chegado antes. Se nós podemos, por que outros não poderiam?

 

Os discos voadores, "embora venham de procedência distante e ignorada, teriam como base de operações a Lua. Dali, os discos empreendem as constantes viagens de observação à Terra". Estariam os alienígenas, questionava o artigo, dispostos a aceitar a invasão de seus domínios por nós? Ainda não tivemos que encarar essa resposta, embora haja quem se pergunte por que não voltamos mais à Lua depois da missão Apollo 17.

 

Diante das dúvidas, ficamos ao menos com a certeza de que óvnis, marcianos e batalhas estelares rendem sempre uma boa reportagem.

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