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DENÚNCIA: “Médica disse que meu filho estava morto, mas nasceu vivo”, diz jovem

A adolescente é uma das 11 vítimas que denunciaram à PCDF profissionais do Hospital Regional de Samambaia por negligência e erro médico

METRÓPOLES

18 de Julho de 2019 às 10:56

DENÚNCIA: “Médica disse que meu filho estava morto, mas nasceu vivo”, diz jovem

FOTO: (Divulgação)

Gestante aos 16 anos, a estudante V. G. S. viveu horas de apreensão após dar entrada no Hospital Regional de Samambaia (HRSam) apresentando fortes dores na região da barriga. Na unidade pública de saúde, foi recebida e atendida por uma médica que, sem nem mesmo precisar realizar qualquer exame, diagnosticou a morte precoce de seu bebê e receitou um abortivo. Nove horas depois, a grávida entrou em trabalho de parto e, contrariando o diagnóstico da profissional, deu à luz um menino cujo coração ainda batia.

 

A surpresa e a alegria da mãe e dos familiares duraram pouco, exatas uma hora e 40 minutos. Após ela deixar a sala de cirurgia para se instalar no quarto, um médico informou à jovem que seu bebê de seis meses havia sofrido complicações e não resistiu. O óbito foi registrado às 23h30 daquele dia.

 

Ao Metrópoles, a adolescente sustentou que a morte da criança é resultado da negligência dos profissionais e poderia ter sido evitada com um diagnóstico preciso.

 

A médica apenas tocou na minha barriga e disse que meu bebê tinha morrido. Sem fazer exames, me medicou. Mais tarde, por volta das 19h, outro médico me examinou, com um estetoscópio, e disse que não conseguia ouvir os batimentos cardíacos. Mesmo assim, meu filho nasceu vivo. Se fosse em qualquer outro hospital ou qualquer outro médico, ele poderia estar comigo hoje”, desabafou a jovem.

 

A adolescente é uma das 11 pacientes a procurar a 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte) para denunciar as irregularidades no HRSam. Os relatos graves envolvem erros médicos, mortes de bebês e até humilhações. As queixas levaram a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) a abrir investigação.

 

 

Punições

 

Os relatos chocantes chegaram ao conhecimento do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). Nesta quarta-feira (17/07/2019), o chefe do Executivo local falou publicamente, pela primeira vez, sobre os casos. “Já determinamos que seja feito o acompanhamento e vamos fornecer todos os dados aos órgãos competentes pela investigação. Se houver realmente irregularidades, vamos punir esses profissionais”, ressaltou.

 

O governador determinou a criação de uma comissão de sindicância para apurar as denúncias. Os nomes devem ser publicados na edição do Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) desta quinta-feira (18/07/2019).

 

Pelo menos oito médicos são alvo de investigação. Na delegacia, em depoimento, uma das vítimas chegou a relatar aos policiais que, após reclamar e gritar de dor durante atendimento, um médico disse: “Com um órgão [vagina] desse tamanho, do que ainda está reclamando?”. Em outro caso, uma idosa contou que um profissional lhe mandou calar a boca porque considerava que “ela perguntava demais”.

 

Na tarde desta quarta, o chefe do Executivo local se reuniu com o secretário de Saúde, Osnei Okumoto, a fim de estudar quais medidas serão adotadas. “Não podemos punir ninguém de início, salvo quando existe uma clareza no que está acontecendo, e não pretendemos cometer nenhum tipo de injustiça”, ponderou.

 

 

O que diz a Secretaria de Saúde

 

Por meio de nota, a direção do HRSam comunicou que “todas as providências estão sendo tomadas pela direção e pela Superintendência da Região de Saúde Sudoeste”. Ainda de acordo com o texto, “um processo sigiloso foi aberto no âmbito da Secretaria de Saúde”. A pasta não informou se os médicos investigados continuam exercendo suas funções.

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