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Entrevista histórica - Por Selmo Vasconcellos

POR SELMO VASCONCELLOS

8 de Novembro de 2018 às 15:16

Entrevista histórica - Por Selmo Vasconcellos

FOTO: (DIVULGACÃO)

 

SELMO VASCONCELLOS – Porto Velho, RO.

28 de JUNHO de 2013.

 

Entrevistado por DENISE MORAES (artista plástica e poetisa, Vitória, ES).

 

Nasceu no Rio de Janeiro, RJ (6 de outubro de 1951) e reside em Porto Velho, RO desde 1982. Casado, pai e avô.
Administrador (nº 28, RO), jornalista (nº 470, DRT, RO), editor de cultura, divulgador cultural e escritor (poesias, contos e crônicas).
Obras publicadas: REVER VERSO INVERSO (1991), NICTÊMERO (1993), POMO DE DISCÓRDIA (1994), RESQUÍCIOS PONDERADOS (1996) e LEONARDO, MEU NETO (antologia, 2004).
Livretos independentes (poesia): MORDE & ASSOPRA e suas causas internas e externas (1999), DESABAFOS em memória de ROY ORBISON (2003), Revista Antológica “Membros da Galeria dos Amigos do Lítero Cultural” (2004).
Livretos de poesias traduzidos : Francês, Inglês, Alemão, Italiano, Japonês, Russo, Grego, Romeno, Macedônico, Esperanto, Espanhol.
42 Prêmios Nacionais (RJ, GO, SP, DF, SE, MG e RO)
22 Prêmios Internacionais (EUA, Grécia, Espanha, Canadá e China).
26 Entidades Culturais, convidado como membro  (Brasil, Portugal, EUA, Espanha e Grécia).
133 participações em Periódicos Literários (Brasil, EUA, França, Bélgica, Grécia, China, Itália, Venezuela, Romênia, Macedônia e Espanha).

Os prêmios nacionais e internacionais, convites para entidades culturais, publicações poéticas nos periódicos literários e participações em antologia, gentilmente como convidado e sem qualquer tipo de ônus. Acredito que por retribuição ou carinho mesmo.

  

DENISE MORAES – Quais as suas outras atividades, além de escritor e divulgador cultural?

SELMO VASCONCELLOS –  Opto mais por brincante com as palavras do que escritor. Sou servidor público, formado em Administração, lotado na Casa da Cultura Ivan Marrocos” da Fundação Cultural do Estado de Rondônia.

 

DENISE MORAES – Este interesse literário, pelo que podemos constatar, vem de família. O seu tio, o escritor José Mauro de Vasconcelos e do seu pai, o qual deixou muitos escritos. Fale-nos sobre esta herança cultural que está nas veias.

SELMO VASCONCELLOS – Herança só de sobrenome Vasconcellos. Aconteceu mesmo em Rondônia em 1985, quando o meu coeditor das páginas impressas e semanais “Prisma Cultural” no jornal “O Guaporé” (1990/1991) e “Momento Lítero Cultural” no jornal “Alto Madeira” (1991/2012)), compadre e parceiro também em livros o saudoso José Ailton Ferreira “Bahia” que trabalhava em Porto Velho e foi fazer um trabalho pelo Governo Estadual no município de Ouro Preto do Oeste onde eu residia e trabalhava na Prefeitura.

Surgiu bem no início dos anos 70 ( maravilhoso período de Paz & Amor, jovens rebeldes bem críticos e esclarecidos, Festivais da Canção com universitários compondo belas músicas da MPB, Rock em alta criatividade, Woodstock, jornais independentes, alternativos, marginais, mimeografados, etc.). Em 1973 parei e fui caminhar. Voltei com força total em 1985 e estou até hoje nessa estrada literária.

Também nos anos 70 gostava de rock, ainda gosto, e toda vez que ouvia Led Zeppelin me dava vontade de brincar de escrever poesias (infelizmente não tenho nenhuma delas comigo). E o meu primeiro livro em 1991 intitulado “Rever Verso Inverso”.

 

DENISE MORAES – Qual ( is ) o ( os ) impacto ( os ) que propiciam atmosfera capazes de produzir poesias?

SELMO VASCONCELLOS - Ora com silêncio, ora ouvindo um rock nostálgico. Mas na maioria das vezes é na rua mesmo, apreciando tudo ao meu redor. O importante é estar munido de uma caneta e um caderninho. Dificilmente digitando.

 

DENISE MORAES – Quantos e quais os seus livros publicados?

SELMO VASCONCELLOS - REVER VERSO INVERSO (1991), NICTÊMERO (1993), POMO DE DISCÓRDIA (1994), RESQUÍCIOS PONDERADOS (1996) e LEONARDO, MEU NETO (antologia, 2004).
Livretos independentes (poesia): MORDE & ASSOPRA e suas causas internas e externas (1999), DESABAFOS em memória de ROY ORBISON (2003), Revista Antológica “Membros da Galeria dos Amigos do Lítero Cultural” (2004). E agora o livro QUAL A IMPORTÂNCIA DA BIBLIOTECA PARA VOCÊ – 94 depoimentos de escritores ( 2013).

 

DENISE MORAES – Suas poesias estão traduzidas em vários idiomas. Portanto, você é conhecido no exterior. Qual o reconhecimento no seu país? 

SELMO VASCONCELLOS – É a retribuição dos poetas do exterior em relação a minha divulgação das poesias deles nas saudosas páginas literárias impressas onde editava.

 

DENISE MORAES – Quais os escritores que você admira? 

SELMO VASCONCELLOS – São tantos os vivos e muitos deles colaboradores nesses 22 anos de jornalismo literário, opto falar dos saudosos : Eno Teodoro Wanke, Aníbal Beça, José Ailton Ferreira ‘Bahia’, Artur da Távola, Afonso Félix de Souza, Joanyr de Oliveira, Wanda Lins, e alguns outros. E não colaboradores e eternos: Vinicius de Moraes, Manuel Bandeira, Pablo Neruda, Florbela Espanca, Mário Quintana e mais alguns.

 

DENISE MORAES - O escritor José Mauro de Vasconcelos, teve o seu reconhecimento como escritor em 1962, com o livro Rosinha Minha Canoa. O livro Meu Pé de Laranja Lima-1968, seu maior sucesso editorial, foi adotado pelas escolas, foi tema de novela, e atualmente foi lançado o filme. Apesar de todo esse sucesso, houve retorno e reconhecimento pela crítica no Brasil? 

 

SELMO VASCONCELLOS – No Brasil eu não sei, mas na Argentina e na Finlândia o livro Meu Pé de Laranja Lima é adotado nas escolas.

 

DENISE MORAES - Há muitas homenagens dedicadas para preservar a memória do escritor. No entanto, não há uma matéria específica na mídia com os familiares, eternizando a memória do autor no lançamento do filme. Não seria uma injustiça com o próprio escritor? 

SELMO VASCONCELLOS – O vínculo maior de Zemauro era apenas com o meu pai. Eram muito amigos, muitos unidos. José Mauro ouvia muito meu pai, na sala da nossa casa, enquanto menino eu brincava no quintal. Isso nos anos 60. Nos anos 70 e 80 também com pouca afinidade com o tio escritor, optava mais pelo rock e meus poemas marginais.

 

DENISE MORAES – José Mauro de Vasconcelos teve várias profissões, abandonou o curso de medicina e não concluiu vários outros cursos e morou em alguns Estados do Nordeste e no exterior. Dessa forma, com sua sensibilidade aflorada, passou para a literatura as suas vivências. No que podemos observar, há uma referência entre você e o seu tio: Escritor, defensor da natureza e dos índios. Foi a convivência, ou está no sangue mesmo?  

SELMO VASCONCELLOS – Meu maior incentivador foi o saudoso José Ailton Ferreira “Bahia”, meu compadre, meu amigo de trabalho, estradas, praças, isso no início dos anos 80. Ele já com livros publicados apreciou um pouco de poesias minhas e me deu um ultimato de três meses para publicar um livro junto com ele, em 1991 acabou sendo publicado pela Editora Scortecci e intitulado Rever Verso Inverso. Nenhum vínculo literário com o meu tio Zemauro, e sim com o meu pai que era um grande contista e cronista. Nos anos 70, eu já rabiscava uns poemas mas nenhum deles guardados.

 

DENISE MORAES – Ao assistirmos uma peça teatral com a atriz Eva Vilma no Teatro Carlos Gomes, aqui em Vitória-ES, posamos para umas fotos, e minha irmã mencionou a Jandira do Meu Pé de Laranja Lima. Percebi que a atriz comoveu-se ao relembrarmos a sua personagem e muito mais além. Poderia explicar sobre essa emoção ao relembrar o autor, que também foi ator e trabalhou com a atriz em alguns filmes?

SELMO VASCONCELLOS – Minha querida entrevistadora e amiga, mínima emoção possível. A lembrança maior que tenho do meu tio foi no livro Rosinha, Minha Canoa e os mais antigos dele envolvido com o tema selva. Minha infância e adolescência foram voltadas para os primos e tios da família Pinagé e muito pouco com os Vasconcelos (apenas as filhas da minha tia Jandira)

 

DENISE MORAES – Fale um pouco da histórica página impressa e semanal MOMENTO LÍTERO CULTURAL.

SELMO VASCONCELLOS - O centenário jornal Alto Madeira (15 de abril de 1917 a 15 de abril de 2017- sob o comando do Diretor Geral Euro Tourinho) começou a editar a página semanal MOMENTO LÍTERO CULTURAL em 15 de AGOSTO de 1991 sob a coordenação dos escritores JOSÉ AILTON FERREIRA “BAHIA” (9/01/1951 – 21/09/2005) e SELMO VASCONCELLOS. E a última página aconteceu em 5 de julho de 2012 (20 anos e 11 meses – 1115 páginas) .

A página de nº 1000 foi publicada em 29 de julho de 2010.

2600 colaboradores de 36 países colaboraram no MOMENTO LÍTERO CULTURAL  (França, Portugal, Espanha, Cuba, Canadá, Estados Unidos da América, Venezuela, Bolívia, Chile, Colômbia, Uruguai, México, Argentina, Noruega, Itália, Alemanha, Rússia, Dinamarca, Bélgica, Algéria, Marrocos, Índia, Japão, China, Coréia do Sul, Holanda, Áustria, Macedônia, Malta, Honduras, Polônia, Romênia, Guatemala, Inglaterra, Grécia e Brasil)

 

Atualmente a Coluna MOMENTO LÍTERO CULTURAL presente no jornal rondoniaovivo.com , a convite do amigo/irmão PAULO ANDREOLI,  e nos mesmos moldes das históricas páginas  impressas.

 

 

DENISE MORAES - Qual a mensagem de incentivo você daria aos novos poetas ?
SELMO VASCONCELLOS – Tá inspirado(a) ? Então escreva.
Enriqueça seu vocabulário lendo vários autores.
Aceite a crítica e a revisão de quem realmente entende.
“FAÇA DOS  LIVROS  E DOS  PROFESSORES OS SEUS MELHORES AMIGOS.”

 

QUINTAL 22 HORAS
(8 de MAIO de 2006)


Olhando para o céu
vi muitas estrelas.
Cada estrela, muita luz
cada luz, com um brilho
cada brilho manifestando cor diferente.

Vi muitas estrelas.
Elas desceram e vieram florir os meus olhos,
Como respostas dei-lhe lágrimas.

Eram muitas estrelas...

Cada estrela
com sua luz
com seu brilho
com seu som
( percebi pelo silêncio da noite ).

Elas me alcançaram.
Para cada, uma pergunta.
De cada, uma resposta.

Vi muitas estrelas...
*****

BEIJA-FLOR, FLOR QUE BEIJA

 

Flor
que  ama
que  clama
que  chama

 
Flor
que atura
que apura
que segura

  

Flor
que beija
festeja
almeja

 

Flor
que acostuma
que perfuma
que espuma

  

Flor
agrada
calada
chegada

 

Flor
que adora
que chora
que namora

 

Flor
da solidariedade
da felicidade
da fidelidade

 

Flor
que abençoa
que afeiçoa
que perdoa

 
Flor
Por que não amá-la ?

Por que não beijá-la ?

****

TEMA DE LARA

( Filme Dr. Jivago )


Quando o amor
começa branco,
é porque
branco vai ser o amor.

Branco é neve,
é leve,
é Lara.
Um amor revivido que não pára.

Amor, laço
Amordaço.

Beijos com uva.
na melhor tarde de chuva.

Vela perfumada,
acesa ela,
acesa amada.

Incenso,
e a ti pertenço.

Doce era,
Erva doce

Vermelho vivo,
rutilante,
excitante,
marcante.
Vivo vermelho,
na medida que avanço,
nada causa, nada cansa.

Amarelo,
se quero?
Quero.
O mais puro,
o mais belo.
Amar... elo

Amarelo Van Gogh

Azul,
encontro do Norte com o Sul.

Verde-água, atração.
afogado de paixão.

Rosa alegria,
numa noite
nem a folha se movia.

Lembrança, saudade.
Permaneço, Piedade.

( 4 e 8 de janeiro de 2006 )

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