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MOMENTO LÌTERO CULTURAL

POR SELMO VASCONCELLOS

12 de Abril de 2019 às 14:56

DANIEL MAURÍCIO – Curitiba, PR. 

Membro da Galeria dos Poetas da Coluna Momento Lítero Cultural

Mesmo sem o vento 
Valsam os pingos da chuva
Em meu paladar
Teu beijo com gosto de uva
Põe meu coração 
Freneticamente a bailar.
*****

As horas são ratos
Roendo o meu tempo 
E como lamento 
Os tique-taques
Perdidos por nada.

*****

Vesti de veludo
Os ponteiros das horas
Pois quando estou com você 
O tique-taque me faz estremecer 
Lembrando que tenho de ir embora.

*****

O vento balança 
Perfumadas lembranças
No encantado varal 
Eu conto as histórias 
Para a minha alma
Que me ouve com calma
Como se não soubesse
Todinhas de cor.

****

Por saber do futuro
Minha alma cigana
A tua escolheu 
Viajou por milênios 
Te buscou entre os reinos 
Usando o mapa das mãos 
Não se apega a lugares
Constantemente muda de ares
Pois o destino dela é teu.

*****

Com as amálgamas do tempo
Colei meus cacos um a um
Dos amores perdidos
Não lamentei por nenhum
Aproveitei as poucas lágrimas 
Pra umedecer a tinta ressequida
E com elas dar nova vida
Às roupas desbotadas
Da alma que andava cansada 
E encolhida dentro de mim.
No pote do arco-íris 
Permiti banhar-me por inteiro
Renovado e tão faceiro 
Da solidão finalmente me despedi.

*****

O teu silêncio 
É ausência que grita
E faz barulho no meu peito
Que acostumado com outros tempos
Em que era terra arada 
Onde se fincavam sonhos 
Na carência 
De sequer um gesto
Recorto palavras antigas
Do teu épico manifesto 
E delas faço um pequeno ninho
Sonhando como um menino 
Que a tua mudez repentina
Se convertia num delicioso beijo.
*****

Demoro em mim
Como um olhar saudoso
Diante de uma foto antiga
Pauso por instantes
O apressado tempo
Foco no momento 
Pois a areia do ontem
Já escorreu sem medo 
E a do amanhã 
Guarda em si seus próprios segredos 
Esvaziei a mente
Quebrei os elos da corrente
Senti no peito a liberdade
Cobri-me apenas da verdade
E com a luz interna
Fiz conexão.
*****

Hoje
Amanheci poesia escrita em braile
Por certo
Poucos saberão me ler.

*****

Silenciosas
As luzes da noite 
Bebem água do chafariz do Largo
O vento tão nostálgico 
Sopra a ferida do teu adeus.
E eu,
Aos poucos vou me curando.
*****

Sem me preocupar 
Em fazer versos 
Com o rio milenar eu converso 
Ouvindo atento os seus segredos
Nas suas águas batizo minha alma
E a fera dentro de mim se acalma
E a paz refrescante retorna
Trazendo vida ao meu olhar.
*****

Rimam nossos lábios 
Em estalados beijos
Bebo da tua água 
Sem me cansar
Comes do meu pão 
Há tanto tempo
E o tempo só tempera
O nosso amar.
*****

Ainda ecoam na memória 
Os cânticos, preces e sermões 
Vindos da singela igrejinha
Que já há muito não existe mais.
Ardem as lembranças 
Sangra o peito com os ais...
Entre o sono e os sonhos
Aconchega-se a criança 
Cheia de esperança 
Nos braços que pareciam eternos
Da agora saudosa mãe.

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