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MOMENTO LÍTERO CULTURAL

POR SELMO VASCONCELLOS

11 de Junho de 2019 às 10:17

JANETE CORTEZ

 

REENCONTRO

 

(para Marie-Madeleine e Antoine de Saint-Exupéry)

Foi quando te soube entre as tílias
naquela tarde de vento
soprando vida, alisando o tempo.
Foi ali, no instante exato
em que o silêncio se fez presente
e as folhas das árvores estáticas,
o vento já emudecido,
revelaram tua presença.
Ali te encontrei.
Soube que me espreitavas
com teu olhar secreto e doce.
Poderia te tocar não fossem
os véus de luz que te encobriam
ofuscando meus olhos pequenos.
Ali soube o meu destino.
Ali me encontrei.
Queria poder ficar e ouvir o teu canto
me integrar na paisagem
que tanto amavas.
Mas a vida me chamava
fora daquele parque,
longe das janelas que abrigaram
teu olhar antigo.
Entre lágrimas de saudade
mais uma vez parti.
Desta vez carrego comigo
certezas e gratidão eterna.
E essa imensa ternura
colorindo os dias e as noites
desta alma pequena
que apenas espera.

26/09/2014

*****

MINHA ALMA PEQUENA


Debruço sobre minhas penas,
minhas mágoas, meus enganos.
Tento soltar-lhes os laços,
o peso, as algemas,
enxugar-lhes as lágrimas que correm
e corroem nervos de aço.
Então, furto-me um instante,
permito-me estar entre as nuvens e as estrelas,
deixo-me conduzir pelas asas de um anjo.
Encontro-me só e única
no imenso Universo Divino.
Avisto e acolho minha alma pequena,
beijo-a ternamente,
afago suas faces eternas,

perdoo seus erros e abraço seus sonhos.
Encontro meu norte, meu centro.
Todas as minhas vidas ali
debruçadas sobre meu colo,
todas elas sedentas do meu toque,
meu abraço amigo, meu carinho.
Carrego, então, minha alma pequena
sob o luar e as estrelas,
deixo que ela fale seus poemas,
aponte as nebulosas,
desenhe no vento paisagens e flores.
Percebo-a frágil, sonhadora e bela.
Talvez pudesse contar-me suas histórias,
revelar-me segredos,
riscar na terra meus rastros.
Mas como criança pequena e frágil
ela enlaça meu pescoço e sorri,
olhos nos olhos, ternamente.
Permite que eu a ame como a um filho
e que eu esteja em paz com Deus.

28/11/08

*****

PEQUENAS FLORES...

 

Pequenas flores
pequenos sonhos.
Vida pequena
que segue
o rumo
e o ritmo

da espera
grandiosa.
E crescer
servindo
e morrer
amando...

11/5/1989

*****

APELO


Solta-me as âncoras
fincadas nessas tristes águas.
Desfaça-me as amarras
para que eu deslize
em meio às ondas
para que eu me perca
neste oceano de gestos e brisas
para que eu voe livre
em velas içadas
em ventos mornos
para que eu me encontre
no avesso de quem hoje sou
e me desfaça em prantos de alegria
e me permita, ternamente, amar-te
como se fosse a única e fresca fonte
perdida num deserto sem sombras.

*****

MOMENTO


O trem desliza sobre os trilhos
rijos, metálicos, infindos.
Nuvens desfilam ante meus olhos
sedentos de encontro e risos.
Meu olhar cruza e penetra
pesadas sombras no céu de outono.
Agarro-me ao poente.
Submeto meus sonhos
à maciez e à mansuetude
desta brisa cálida
desta tarde que chega ao final
destes trilhos que me levam
e me espreitam.

******

TEMPLO


Antes eram as pedras
suspensas no tempo
parte imersa do templo
dos deuses, dos homens.
Pedra por pedra
gota d'água refinada
caída dentre os sulcos
pequenos, minúsculos,
amasiada, enlaçada
por pedra.
E a água era pura.
Vinha das chuvas
lavadeiras
que varriam o pó
do templo.
Gota a gota.
Água e pedra.
Assim era no passado
dentro do templo,
longe dos homens.

25/07/1989

*****

EU ESCUTO O TEMPO...

 

Eu escuto o tempo

e grito ao vento

meus versos brancos.

Como andarilha que sou

percorro os becos

perscruto a noite

abafo meus passos

no silêncio torpe.

E meus olhos insones

se perdem e confundem

estrelas cadentes.

*****

AS PALAVRAS

 

As palavras oscilam

vacilam, indecisas,

imprecisas, inexatas.

Corro meu olhos

na tela do tempo

e me perco

entre tantas frases

caladas

entre tantos sonhos

mortos

Teço meu véu

minha sombra

oculta

na sombra dos dias

em que vivo.

*****

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