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Ode à Rondônia – Pelos seus 36 anos, por Arimar Souza de Sá

Pra cá, bem pra cá do horizonte, não há apenas o entorpecente, o tráfico ou uma cambada de demagogos roubando e fazem folia . Há sim, a natureza ainda em festa, prorrompendo alegre do âmago da terra

RONDONOTÍCIAS

4 de Janeiro de 2018 às 16:25

Ode à Rondônia – Pelos seus 36 anos, por Arimar Souza de Sá

FOTO: (Divulgação)

Aqui, bem perto dos contrafortes dos Andes, soprados com ares castelhanos, vivemos nós os rondonienses.

 

Um pouco com os peruanos, filhos do sol. Um povo ordeiro, hospitaleiro, paciente, às vezes bobo, gerado dos amores nordestinos, de índios e negros, não do ódio; filhos das invernadas, das chuvas fortes, da liberdade dos campos, da miscigenação, não do entorpecente que aprisiona, destrói e mata. Legitimamente filhos do norte do País.

 

Recebendo cotidianamente outros filhos de outras plagas, lá nos vamos nós, a duras penas, mas vamos, com suor, às vezes com sangue, construindo Rondônia, esta terra querida, este imenso viveiro da natureza, este campo de paz!

 

Rondônia: 36 anos. És bela porque maravilhosa e verdejante, onde a natureza ainda esbanja alegria, e onde brilha um sol, mais ardente que os outros sóis que se espraiam e iluminam este País tropical.

 

Teu cenário tem mil cores, cores de um Brasil que o país desconhece. As garças brancas sobrevoando os pântanos, o papagaio verde, verde como as matas e o macaco gracioso que pula pelos galhos, nas acrobacias que permitem os cipós dependurados nas árvores frondosas. A cobra d'água, a onça pintada, a negra, as duas, ainda esturram mata adentro. O boto cor de rosa, e o seu balé. Oh, Rondônia, de imensas graças!

 

Aqui, vivem ainda os Pacaás-Novos, os Periquitos, os Araras – índios, índios, puros com a própria natureza. Nas florestas sem fim, a castanheira portentosa ergue-se ainda impávida a desafiar o próprio homem e o tempo, na colossal e implacável perseguição de extermínio.

 

Há um cheiro bom vindo do âmago desta terra, imensamente puro, imensamente divino. No espaço, as nuvens brancas se cristalizam em cômoros. Nos vales, onde já se espraiam os campos, as neves vão se diluindo ao sabor da luz do sol e, salpicando as pradarias, submetem-se ao vigor dos pastos, onde a boiada cresce e a riqueza do agro-negócio também!

 

À noite, lá pras as bandas de Cabixi, sopram os ventos das montanhas, nos igapós coaxam as rãs, as sucuris se espreguiçam nos mangues e a passarada se apinha nos galhos quando a noite vem!

 

À noite em Rondônia é de um negrume forte, impenetrável aos olhos. Aqui e acolá um vaga-lume esperto acende a apaga, e a coruja, que fica sempre “espiando”, às vezes se assusta e voa!

 

A alvorada prorrompe em festa qual o esplendor da primavera! O mutum de várzea dá pancada no ar, marcando com estridência o seu vôo e compasso da natureza, onde onça esturra, as gralhas nativas cortam os ventos, as árvores mexem, e a natureza inteirinha se agita em festa, jogando o seu perfume no ar, sob a ternura do orvalho rondoniense que cai, e cai, acariciando a terra como se fossem eternos namorados!

 

Lá pras bandas da Ilha das Flores, em pleno Alto Guaporé, a boiada acorda, o vaqueiro se levanta, acende a lamparina, olha para o céu, faz o sinal da cruz, reza uma Ave-Maria, encilha o cavalo e começa a manhã.

 

E lá se vai ele tangendo a boiada pelos campos sem fim. É a Amazônia larga, forte e impenetrável do pantanal rondoniense. Cá e lá se empurra a vista para o horizonte, a busca é o infinito, o limite á o azul do céu... É pra lá... Bem pra lá do fim da terra.

 

E o cavalo trotando e cruzando os caminhos, vai pelo trote ganhando os espaços, e o vaqueiro apertando a chincha, vai-que-vai, tangendo a boiada num espetáculo santo-pastoril.

 

Esta, sim, que é a minha, é a nossa Rondônia, tão sofrida, tão maculada, tão indefesa, tão esquecida por aqueles que vivem à sombra do poder, parindo por isso, uma imagem distorcida dos seus filhos, da sua gente.

 

Por isso, antes de alimentar-se de informações distorcidas;

 

Vem prá cá brasileiro, vem conhecer Rondônia e o seu povo e tirar a tua má impressão. Vem, anima o teu coração, e quando aqui chegar, visita a Madeira-Mamoré, símbolo de uma raça, o Real Forte Príncipe da Beira, o Vale do Guaporé, pede informação e constata, que Estado rico, forte, pujante.

 

Encharca-te de emoção, na emoção dos pântanos onde Deus plantou e pintou a nossa própria natureza. Vem curtir com a gente o poder de Deus estampado nas riquezas naturais e nas caudalosas águas do Madeira.

 

Vêm apreciar da janela as chuvas torrenciais que banham as árvores, as gigantescas, tipo o Ipê e castanheira.

 

Vêm contemplar a flora, a fauna ainda rica de cotias, tatus, antas, biguás, jacarés, lontras, pacas, capivaras, enfim, veados ainda da própria selva, e porcos do mato, em bando.

 

Porque aqui a natureza ainda é de todos e vale até lembrar-se do velho adágio: Quem bebe a água do Madeira, não volta, fica.

 

Pena que alguns covardes aventureiros vêm pra cá matar fome e ainda falam mal desta terra-mãe. Lamentavelmente. AMÉM.

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