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Lenha na fogueira, por Zékatraca

Confira.

ZÉKATRACA

5 de Março de 2018 às 08:50

Lenha na fogueira, por Zékatraca

FOTO: (Divulgação)

‘Rondônia era o Eldorado do Brasil. Aqui consegui trabalho numa empresa contratada pela Ceron e em 1984 fui contratado pelo governo do estado, lotado na Secretaria de Obras no Departamento de Fiscalização de serviços elétricos’

 

‘Esse povo vinha do Nordeste sofrendo em navio de terceira classe, vinha até Belém e de Belém vinha pra cá em navios chamados de “Gaiola”, quando chegavam no destino, eram recrutados pelos seringalistas’

 

Emanuel Mirtil

 

Autobiografia - São 60 Anos e Uma História

 

O engenheiro Emanuel Mirtil após colocar a disposição dos interessados sua biografia através do livro “São 60 Anos e Uma História”, está correndo atrás de patrocínio para imprimir sua próxima obra, dessa vez com a história do Soldado da Borracha cujo título é “Os Cearenses na Amazônia”. “É bom lembrar que nossos irmãos nordestinos quando vinham pra Fortaleza para se alistar, ficavam segregados, separados da cidade, nos famosos currais, verdadeiros campos de concentração”. Na entrevista que segue você toma conhecimento dessa e outras histórias que fazem parte da vida do Emenuel Mirtil.

 

ENTREVISTA

 

 

Zk – Fala sobre tua origem?

 

Emanuel – Me chamo Emanuel Mirtil Rodrigues de Almeida. Nasci em Fortaleza Ceará no ano de 1954, vou completar no dia 1º de julho, 64 anos dos quais, 34 são em Rondônia.

 

Zk – Por que veio para Rondônia?

 

Emanuel – Me formei em engenharia elétrica pela Universidade Federal do Ceará em 1980 e na época, o Brasil passava como até hoje, por uma crise de empregabilidade. Ainda passei dois anos em Fortaleza depois de formado, em 1983 apareceu a oportunidade de vir pra cá. Rondônia era o Eldorado do Brasil. Aqui consegui trabalho numa empresa contratada pela Ceron e em 1984 fui contratado pelo governo do estado, lotado na Secretaria de Obras no Departamento de Fiscalização de serviços elétricos, a primeira obra que trabalhei foi na construção da Penal – Complexo Enio Pinheiro na implantação da subestação, cozinha, oficina e toda parte de instalação elétrica do complexo, depois fiscalizei outra obras do governo e então fui para o Setor de Planejamento no Programa Pólo Noroeste, depois Planafloro e continuei na Secretaria de Planejamento na área de Ciência e Tecnologia foi quando me especializei.

 

Zk – Quando surge o escritor?

 

Emanuel – Na verdade o escritor sempre existiu, desde minha fase de adolescência na época que fazia o curso ginasial que hoje não existe mais. Estudei no Seminário Salvatoriano e a gente tinha o jornalzinho e eu sempre estava engajado nessa parte literária, fui editor desse jornal por muito tempo. Sempre gostei de escrever crônicas apesar de gostar de poesia, na disciplina de português sempre tirei boas notas. Eu gostava e ainda gosto muito de ler, na ausência do padre que era o bibliotecário do Seminário, o diretor pediu que eu ficasse com a chave da biblioteca para receber e emprestar os livros e assim sendo, na hora dos intervalos eu ia pra biblioteca e então passei a ler os clássicos da literatura, é como diz o ditado: “Juntou a fome com a vontade de comer”.

 

Zk – Quantos livros você já produziu?

 

Emanuel – Quando completei 60 anos de idade há 4 anos, resolvi publicar o livro “São 60 Anos e Uma História” Nasci no dia 1º de julho e quando foi no dia 24 de agosto Getúlio Vargas se suicida, então eu já cheguei com a história do Brasil acontecendo. Depois veio a inauguração de Brasília, o golpe militar. Antes disso coordenei junto com outros colegas, na Secretaria de Planejamento, um Seminário junto com a UNIR sobre os “135 anos de colonização da Amazônia/Rondônia”, foi um evento muito grandioso que aconteceu aqui em Porto Velho, trouxemos conferencistas de fora etc. Foram apresentados muitos trabalhos durante os três dias do Seminário e esses trabalhos foram copilados nos anais e num desses volumes, publiquei um artigo sobre educação tecnológica o que considero como minha primeira publicação. Sou formado pela Escola Superior de Guerra onde editei o jornal por mais de dois anos. Também publiquei muitos artigos técnicos na revista do CREA. Depois disso, vem o livro sobre minha história, onde falo sobre a Tropicália, a chegada do homem a lua, cinema do Brasil, cinema no Ceará até minha vinda pra Rondônia. Sou casado com uma pernambucana, tenho dois filhos já formados e casados e assim vou contando minha história no livro: “São 60 Anos e Uma História”

 

Zk – Sobre a história do seringueiro soldado da borracha?

 

Emanuel – Quando lancei esse livro sobre minha vida, fui indicado para a Academia Maçônica de Letras, sou patrono da minha cadeira, na Academia participei de duas publicações uma, é uma homenagem ao nosso irmão Euclides Sampaio Fróes – Quida. Como falei, quando cheguei aqui comecei a conhecer a história de Rondônia, uma história muito rica, muito grande, muito bonita que o Brasil não conhece. A história da Estrada de Ferro Madeira Mamoré você chega em colégios fora de Rondônia os alunos não conhecem, não sabem nem o que é Estrada de Ferro Madeira Mamoré. O Tratado de Petrópolis, as pessoas desconhecem essa história, além do mais, vim conhecer Os Soldados da Borracha que eu nem sabia o que era, então comecei a me interessar por isso.

 

Zk – E escreveu um livro?

 

Emanuel – Na época da segunda guerra mundial o Brasil quando ingressou no conflito junto com os aliados, assinou vários acordos principalmente com o governo americano, entre eles, o Tratado de Washiton que foi assinado pelo presidente Getúlio Vargas. Nesse tratado o Brasil se comprometia a fornecer borracha para os aliados para abastecer entre outros, a indústria bélica em geral. Com isso o governo brasileiro passou a incentivar a migração trazendo os nordestinos para os seringais da Amazônia e muitas vezes, não trazia a família completa, só trazia o chefe da família e os filhos homens de maior idade. Esse povo vinha do Nordeste sofrendo em navio de terceira classe, vinha até Belém e de Belém vinha pra cá em navios chamados de “Gaiola”, quando chegavam no destino, eram recrutados pelos seringalistas. Segundo consta, foram trazidos para a Amazônia em torno de 60 Mil nordestinos denominados “Soldados da Borracha”. Em Porto Velho esses nordestinos eram chamados de “Arigó”, no Amazonas de “Cearense”, não importava o estado de nascimento.

 

Zk – Qual o título do livro?

 

Emanuel – Optei, por ser cearense, em utilizar o termo dado pelos amazonenses aos nordestinos Soldados da Borracha. O livro tem como título “Os Cearenses na Amazônia”. Mesmo antes de ter escrito minha autobiografia eu já estava estudando os Soldados da Borracha.

 

Zk – O que te levou a se interessar por essa história?

 

Emanuel – Quando você sai da sua terra pra viver em outro lugar (falo isso por experiência própria). Se eu sai da minha terra como sai do Ceará e vim em busca de melhores dias aqui em Rondônia eu sou um migrante e o migrante é um carimbo imposto a tua personalidade, então, você vai morrer migrante, mesmo que você volte pra sua terra. Digo sinceramente, nunca me conformei em ser migrante, vivo aqui há mais de 30 anos. Inconformado por que a oportunidade que Rondônia me deu de viver, meu estado não me deu, mais não é por isso que eu vá virar as costas pra ele, pelo contrário, estou há trinta e poucos anos aqui, o carimbo de migrante não sai de mim, está impregnado na alma. Da mesma forma que me vejo como migrante, vejo o Soldado da Borracha. Do contingente de 60 mil. pouquíssimos voltaram para sua terra.

 

Zk – Fala sobre o conteúdo do livro?

 

Emanuel – Pesquisei li muito sobre isso. Quando o governo federal assumiu o compromisso de abastecer os aliados com borracha, os nordestinos recrutados tinham como base a cidade de Fortaleza, era lá que ficava o Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia SEMTA. Fui a biblioteca e pesquisei sobre essa questão. É bom lembrar que nossos irmãos nordestinos quando vinha pra Fortaleza para se alistar, ficavam segregados, separados da cidade, nos famosos currais, verdadeiros campos de concentração. Essa separação dessas pessoas que eles chamavam de flagelados da seca. Esse termo flagelado, é muito pesado, é triste. O governo fazia isso, porque a cidade que estava se transformando numa metrópole, não queria esse povo em suas ruas. Isso dói na alma da gente, principalmente quando a gente é migrante.

 

Zk – Para encerrar?

 

Emanuel – Tô buscando patrocínio junto a iniciativa privada e quando tiver o suficiente para imprimir, vou divulgar a data do lançamento.

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