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Confira a coluna "Lenha na Fogueira", por Zékatraca

"O grande papel do gestor seja lá em qual espaço que ele tiver, é motivar a equipe. As guerras são ganhas com soldados bem treinados e motivados."

ZÉKATRACA

28 de Abril de 2018 às 08:32

Confira a coluna "Lenha na Fogueira", por Zékatraca

FOTO: (Zékatraca)

OLHO

 

 

O que era ser bóia fria: Os caminhões passavam de manhã bem cedinho; você não sabia de quem era e desembarcava num local que não sabia onde era. Trabalhava o dia inteiro e no final recebia o salário, algumas vezes trabalhamos e não recebemos’


 

Quase tudo na vida você tem curso de formação, agora, você não tem curso de formação pra governador. Eu tive que aprender observando, ficando aqui durante três anos e três meses, acompanhando o governador Confúcio Moura em muitas agendas’.


 


 

ENTREVISTA


 

De bóia fria no Paraná, a governador de Rondônia - A história de Daniel Pereira – I-III


 

A cidade de Luisiana no Paraná, jamais imaginou que aquele menino, que veio ao mundo no dia 20 de junho de 1965 e que em sua infância e adolescência, trabalhou como “Bóia Fria”; ao migrar para Rondônia em 1977, iria se transformar em líder comunitário e político, primeiro no Cone Sul, depois no estado como um todo. “Uma curiosidade: Chegamos a Rondônia no dia que Vilhena foi emancipada, 23 de novembro de 1977”.

 

 

Na realidade, tudo na vida de Daniel Pereira aconteceu por acaso, principalmente em se tratando da política partidária. Um dia ele foi abrir a escola onde trabalhava em Colorado do Oeste onde aconteceria uma reunião para se escolher um representante da cidade, para ser candidato a vereador, terminou sendo o escolhido. Daí pra frente, não mais parou de galgar posições, seja no movimento sindical ou político partidário. Inicialmente filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) foi eleito vereador, deputado estadual além de ser um dos fundadores do Sintero e de exercer a presidência do Sindsef por duas vezes. “Nas duas vezes fui eleito em chapa de consenso”.

 

 

Foi eleito vice governador pelo PSB numa aliança com o PMDB em 2014, cujo governador foi Confúcio Moura. Hoje é o governador do estado de Rondônia.

 

 

São histórias como essas, que vamos acompanhar a partir de hoje. A conversa aconteceu no dia 19 passado, no gabinete do governador no edifício Rio Pacaás Novo do Palácio Rio Madeira. A história de Daniel Pereira é tão interessante que ficou difícil editar, pois cada relato, é uma emoção diferente.

 

 

Em conseqüência disso e para não deixar muita coisa de fora, resolvemos dividir a publicação em três edições: sábado (28), domingo (29) e terça feira (1º).


 

 

 

PRIMEIRO CAPÍTULO


 

Zk – Qual o estado que o senhor pretende gerar nesses nove meses?

 

Daniel Pereira – O grande papel do gestor seja lá em qual espaço que ele tiver, é motivar a equipe. As guerras são ganhas com soldados bem treinados e motivados. No nosso caso a gente tem que motivar os nossos servidores, nossos assessores diretos, mostrar pra eles que toda e qualquer atividade que eles realizem, por mais simples que seja, tem uma importância no conjunto e transmitir também esse sentimento, pra nossa população. Se a gente conseguir fazer isso, e o governador Confúcio Moura fez isso muito bem durante o período que ele foi governador. Espero ter habilidade para continuar fazendo isso, mexer com o estado emocional das pessoas. Mostrar que o estado de Rondônia é um estado pequeno em termos de população, porém, grande em termos de território, um estado que tem problemas, mais um estado que já construiu coisas fantásticas. Vamos ampliar o que de bom já fizemos e corrigir aquilo que ainda é problema.

 

Zk – Vamos falar sobre a pessoa do Daniel Pereira?

 

Daniel Pereira – Nasci paranaense, num local que hoje ainda é difícil de chegar. Em dezembro de 73 meu pai comprou um sitiozinho numa cidade chamada Terra Boa e lá, em menos de um ano, o sitiozinho virou pó. O coitado pra poder sobreviver, teve que trabalhar de bóia fria e levava os filhos juntos. Passei uns três anos fazendo isso. O que era ser bóia fria: Os caminhões passavam de manhã bem cedinho; você não sabia de quem era e desembarcava num local que não sabia onde era. Trabalhava o dia inteiro e no final recebia o salário, algumas vezes trabalhamos e não recebemos. Era uma situação muito difícil.

 

Zk – E a vinda para Rondônia 

 

Daniel Pereira – Em 1977, meu pai resolveu vir pra Rondônia. Chegamos a Colorado que ainda era distrito de Vilhena, aliás, uma curiosidade: Chegamos a Rondônia no dia que Vilhena foi emancipada, 23 de novembro de 1977. Surgiu o município de Colorado, depois Cerejeiras e por fim Pimenteiras. Brinco que morei em quatro municípios sem sair do lugar. Até 1982 trabalhei na roça; de 82 a 86 dividia meu tempo entre uma escola e uma roça. Em 1986 passei há trabalhar 40 horas, eram duas escolas, eu morava no meio, era quatro quilômetros de um lado e quatro quilômetros do outro, isso quer dizer, que eu tinha o melhor preparo físico da família porque eu andava de bicicleta 16 quilômetros todo dia, pra dar aula.

 

Zk – Como surge a política partidária em sua vida?

 

Daniel Pereira - Em 1987 fui escolhido como pré candidato a vereador da minha comunidade, eu não era filiado a partido político nenhum. Depois que fui escolhido pela comunidade, foi que me filiei ao Partido os Trabalhadores – PT. Participei da campanha de 88 e fui eleito, de lá pra Ca, foram várias eleições.

 

Zk – E o Sindicalista entra nessa história, quando?

 

Daniel Pereira – Essa iniciativa de participar das coisas coletivas está muito intrínseca em mim. Desde criança na escola, já era escolhido para ser o líder de sala. Desde o Paraná nas primeiras séries que estudei e aqui em Rondônia não foi diferente, estudei dois anos em Colorado 77 a 79 e nesse período, fui líder de turma coisa que se repetiu nos demais cursos que fiz. O movimento sindical surgiu assim que me tornei professor. Ajudei não só o movimento sindical ligado aos professores, mas, a organizar o movimento sindical ligado ao setor rural. Por exemplo: o Sindicato Rural de Cerejeiras. Em Cerejeiras ajudei pelo menos meia dúzia de associações de moradores, ajudava a organizar os times de futebol elaborando o estatuto, fazendo a ata de fundação pra registro e tudo. Participei da Associação de Professores como filiado, depois me tornei dirigente, fui o último dirigente da Associação de Professores de Cerejeiras. Nesse intervalo, criamos o Sindicato dos Trabalhadores na Educação, não fui o ator principal. Os atores principais foram: Roberto Sobrinho, Linete Ruiz, Davi Nogueira, Delmario Santana e mais algumas pessoas. Na região Sul Colorado, Cerejeiras por ali, eu era a referencia, tanto que o SINTERO tem um manifesto de fundação, que é assinado por cinco pessoas e eu sou uma das cinco. Fui dirigente estadual do SINTERO em 93/94. Em 94 fui eleito deputado estadual e fiquei até 2002 na Assembléia e em 2005, me chamaram para participar de uma chapa do SINDSEF, já me chamaram pra ser candidato a presidente, não aceitei. “preciso conhecer a entidade”. Em 2007, me chamaram de novo e não podia, porque tinha terminado o curso de direito e queria passar na prova da OAB. Com a mudança do estatuto em 2010, fui eleito presidente do SINDSEF numa chapa de consenso para um mandato de três anos e fui reeleito para mais um mandato. Para evitar apego ao cargo, mudamos o estatuto permitindo só uma reeleição.

 

Zk – Como o governador Daniel Pereira está conseguindo conviver com o sindicalista Daniel Pereira?

 

Daniel Pereira – Acho que tem muita coisa a ver! O sindicalista por natureza tem que ser negociador, permanentemente você tem situações de crise que você tem que administrar, seja relação com o empregado ou empregador, ou relação interna. O SINDSEF é um exemplo disso, quando eu assumi a presidência, não se conseguia realizar uma Assembléia que não terminasse em briga e em menos de um ano pacifiquei isso. Hoje o SINDSEF é um dos melhores do país em termo de estruturação e é também um dos melhores em participação. Em seis anos tivemos pouquíssimos problemas, acho que isso me ajudou a ter melhores condições de atuar aqui, uma observação: Quase tudo na vida você tem curso de formação, agora, você não tem curso de formação pra governador. Eu tive que aprender observando, ficando aqui durante três anos e três meses, acompanhando o governador Confúcio Moura em muitas agendas. Uma coisa é você olhar e achar que pode ser diferente, que pode ser feito melhor, ou corrigir aquilo que está sendo feito. Totalmente diferente disso, é você ter que pegar e fazer, então o exercício do governo hoje, tá sendo um aprendizado. A coisa mais rica que já tive na vida, porque agora, eu dependo de mim. O resultado daquilo que eu trabalho, impacta toda a população do estado e isso é uma responsabilidade muito grande.

 

Zk – Recentemente o senhor fez um pronunciamento e disse que nos dias atuais, para contratar um professor, teria que dividir o salário de um professor do quadro efetivo com o novo contratado. Quer explicar melhor essa situação?

 

Daniel Pereira – O orçamento público é como se fosse uma grande pizza. Faz de conta que você foi com a família numa pizzaria e pediu a pizza gigante, se for só com a esposa fica a metade pra cada um, se levar os filhos, tem que dividir uma parcela com eles. Notou que a cada vez que você divide a pizza com mais gente, a fração vai ficando cada vez menor, então, a idéia é essa. O serviço público tem que ser repensado e eu não estou falando isso a partir da teoria do Daniel Pereira não, to falando a partir de teorias concretas de gestores públicos que fizeram isso no mundo afora. Exemplo: Rodolfo Juliane que foi o prefeito mais festejado de Nova Iorque um cara que pegou uma cidade extremamente violenta e a pacificou. A obra dele não foi só pacificar, ele cuidou da segurança, da saúde, da educação, cuidou da cidade, cuidou das pessoas e ele fez isso, reduzindo o quantitativo de pessoal.

 

Zk – Concluindo?

 

Daniel Pereira – Sou servidor público desde os 17 anos de idade, não dar mais pra nós que somos de categoria, ficarmos todo dia... A gente pede três coisas: melhores condições de trabalho, melhor salário e mais gente. Se você quiser melhor salário e melhor condição de trabalho, tem que fazer mais com menos... (continua amanhã).

Confira a coluna "Lenha na Fogueira", por Zékatraca
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