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ENTREVISTA: Confira a coluna "Lenha na Fogueira", por Zékatraca

Veja a entrevista com Carlos Alberto Martins Manvailer é consultor legislativo e secretário legislativo da Assembléia Legislativa.

ZÉKATRACA

19 de Junho de 2018 às 14:35

ENTREVISTA: Confira a coluna "Lenha na Fogueira", por Zékatraca

FOTO: (ZÉKATRACA)

OLHO

 

 

‘Pra ser sincero não gostei daqui. Eu morava em Campo Grande e quando cheguei aqui em Porto Velho levei um choque muito grande, a cidade cheia de buracos, um calor insuportável, porém, essa pessoa me convenceu a vir pra cá em função da minha mãe’

 

 

‘Em virtude de ser muita matéria em discussão, muitas vezes o presidente não guarda na cabeça quais os passos a ser dado. Por isso, preparamos um roteiro, às vezes eles se perdem até na leitura’

 

 

Carlos Alberto Martins Manvailer

 

 

 

O Consultor Secretário Legislativo da Casa de Leis de Rondônia

 

Para o amigo leitor conhecer melhor o doutor Manvailer, reproduzimos o texto escrito pelo saudoso jornalista Carlos Neves publicado quando Manvailer foi agraciado com o título honorífico de cidadão do Estado de Rondônia concedido pelos deputados estaduais.

 

Carlos Alberto Martins Manvailer é consultor legislativo e secretário legislativo da Assembléia Legislativa. É natural de Amambaí Mato Grosso do Sul. Tem 58 anos, dos quais 30 anos, residindo em Porto Velho, onde constituiu família, e é casado com a senhora Juci, e pai de três filhos: Camila, Júlia e Daniel. Advogado formado pelas Faculdades Unidas Católicas de Mato Grosso – Fucmat, no ano de 1985. Ingressou no Poder Legislativo de Rondônia no ano de 1986. Participou ativamente dos trabalhos da segunda Constituinte assessorando a Comissão de Sistematização, que foi a responsável pelo texto final da atual Constituição Estadual, tendo recebido a condecora ção de Constituinte Honorário. Em 2013, foi condecorado com a Medalha do Mérito Legislativo.

 

 

ENTREVISTA

 

Zk – Quando e por que o senhor veio para Porto Velho?

 

Manvailer – Me formei em 1984/85 e quando foi em 1986 vim aqui sem pretensão nenhuma, apenas pra conhecer Porto Velho. Tinha um irmão que já morava aqui e minha mãe dona Eroni Manvailer que havia se separado do meu pai e a situação não estava boa, resolveu morar aqui. Encontrei aqui uma pessoa que conheci quando era menino em nossa cidade Campo Grande (MS)  e  essa pessoa, me perguntou por que razão eu não viria pra cá. Eu já havia decidido sair de Campo Grande, ia pra Pontes e Lacerda no Mato Grosso.

 

Zk – Fazer o que em Pontes e Lacerda?

 

Manvailer – Minha pretensão era advogar e entrar na política. Pra ser sincero não gostei daqui. Eu morava em Campo Grande e quando cheguei aqui em Porto Velho levei um choque muito grande, a cidade cheia de buracos, um calor insuportável, porém, essa pessoa me convenceu a vir pra cá em função da minha mãe: “Por que você vai morar em Pontes e Lacerda podendo morar aqui, você é o filho mais velho e sempre apoiou sua mãe...” E eu respondi: O problema é que sou recém formado, não tenho experiência e nem conheço ninguém. Lá, vou advogar e sustentar minha mãe; Ele disse: “E se a gente arranjar um emprego pra voc&ec irc;?”. Ele então me apresentou ao presidente da ALE deputado Amizael Gomes da Silva. Amizael solicitou que quando chegasse em Campo Grande mandasse um currículo que ele ia ver se conseguia alguma coisa no governo pra mim. Depois de mais de um mês, o amigo me liga, cobrando o currículo. Para encurtar a conversa, após uma semana que havia encaminhado o currículo, recebo um telefonema dizendo que deveria estar em  Porto Velho “na semana que vem”. Amizael conseguiu uma vaga na Secretaria de Justiça”.

 

Zk – Resolvido o problema do emprego?

 

Manvailer – Quando cheguei ao gabinete do presidente, Amizael colocou as mãos na cabeça e disse: “Deu Zebra, esse sem vergonha desse governador Angelim nomeou um sobrinho dele que chegou de São Paulo”. Aí eu saí injuriado  com  muita raiva, ele me gerou a expectativa e quando chego quebro a cara. Fui embora, só tinha comprado a passagem de avião de vinda, a volta foi de ônibus pois, tinha que passar em Pontes e Lacerda onde já estava tudo praticamente acertado, eu iria assessorar o prefeito, não iria dar expediente na prefeitura, abriria meu escritório, até salário já estava acertado. No dia 1º de abril que é o di a da mentira recebo um telefonema aqui de Rondônia, até pensei que era brincadeira, meus tios eram muito gozadores e pensei que estavam querendo pregar um peça em mim por conta do dia da mentira. Não era! Era o chefe de gabinete do Amizael dizendo que eu já estava na folha de pagamento da Assembléia e que eu tinha que me apresentar pra trabalhar na semana seguinte como contratado.

 

Zk – Quanto tempo como contratado?

 

Manvailer – Com oito meses que estava como contratado abriu o concurso, que fiz e passei. Tive a sorte de começar a trabalhar com o doutor Zelírio que era o Secretário Legislativo da época, foi ele quem organizou a Assembléia. Ele foi meu professor.

 

Zk – Qual foi  o grande momento que senhor viveu na Assembléia?

 

Manvailer – O primeiro grande momento que vivi aqui, foi a constituinte de 1989. O doutor Zelírio me indicou para ser um dos integrantes da Comissão de Sistematização da Constituinte, inclusive recebi o título de “’Constituinte Honorário de 1989” o presidente era o Piana. Tive o privilegio de ser assessor do doutor Zelírio e quando ele se aposentou no ano de 2000 eu o sucedi nesse cargo que comanda todo o Legislativo. Quem me nomeou foi o Silvernani Santos.

 

Zk – Dizem que o senhor é o professor dos deputados. É mesmo?

 

Manvailer – Quando são eleitos, todos me procuram para saber como proceder e qual a documentação necessária, tem deles que pedem até que eu sugira o modelo do terno. Em virtude desse primeiro contato, criamos um vínculo com eles, não é que seja professor, mas, pela experiência e conhecimento o orientamos sempre. Devo esclarecer que tem uma equipe que me ajuda, que me assessora, sozinho ninguém faz nada.

 

Zk – Como é decida a pauta daquela seção?

 

Manvailer – Quem disciplina é o Regimento Interno. A Ordem do Dia é competência exclusiva do presidente, é ele que faz e faz na hora. Antigamente o Regimento previa que tinha que fazer um dia antes; hoje não, ele faz na hora, além do mais, tem aqueles deputados que querem requerer alguma inclusão de matéria e o atual Regimento já prevê isso. Através de um Requerimento que tem que ser aprovado em plenário. Se um projeto for obedecer aos prazos, demora um pouco para ser votado em plenário, cada projeto tem que passar no mínimo por duas comissões cujo prazo é de 18 dias para cada uma. Muitas vezes e isso é permitido, o deputado consegue que o projeto n&ati lde;o passe pelas comissões e nesse caso o presidente nomeia um relator que faz a analise em plenário e logo em seguida o projeto é votado. Essa prática tem ocorrido muito nos dias atuais.

 

Zk – O que tanto o senhor conversa ao pé do ouvido do presidente durante as seções?

 

Manvailer – São orientações que a gente tem que passar. Em virtude de ser muita matéria em discussão, muitas vezes o presidente não guarda na cabeça quais os passos a ser dado. Por isso, preparamos um roteiro, às vezes eles se perdem até na leitura. Aqui tudo é gravado, por isso, temos que ficar orientando o que deve ser feito naquele momento. A nossa bíblia é o Regimento Interno.

 

Zk -  Diversas vezes a Assembléia foi alvo de ações da Policia Federal. O senhor já foi envolvido em alguma dessas ações?

 

Manvailer – Nunca, graças a Deus! Aqui já teve colega que saiu algemado, colegas de trabalho do RH, do Financeiro. Graças a Deus meu nome nunca foi citado.

 

Zk – Como funcionam as seções itinerantes?

 

Manvailer – A seção itinerante dar bastante trabalho. A itinerante nada mais é, do que pegarmos a Assembléia daqui e transferir pra lá. Tudo que acontece aqui acontece lá. Às vezes não dar pra levar todos porque o presidente fica reclamando das diárias. Quem criou as itinerantes foi o Carlão de Oliveira.

 

Zk – Por falar nisso o senhor sempre exerceu essa função?

 

Manvailer – Quando o Natanael Silva assumiu a presidência colocou outra pessoa nesse cargo. Eu sempre assessorei a mesa. Quando o Valter Araujo foi preso e o Hermínio assumiu, me convidou para assumir, dizendo que as pessoas me elogiavam muito. Antes disse que só voltava após a questão do Valter ser resolvida e assim que o Valter foi cassado, fui nomeado como Secretário pelo Hermínio.

 

Zk – Para encerrar essa conversa. Para o senhor quem foi o melhor presidente da ALE?

 

Manvailer – Cada presidente tem sua linha de ação, são as características pessoais e próprias. Eu considero o Carlão Oliveira pra nós servidores, como excelente presidente. Foi ele que fez essa reforma da casa. Antes dele, nosso prédio era uma tristeza. Ele resgatou a credibilidade dos servidores junto ao comercio. O José de Abreu Bianco sem dúvida foi um dos melhores presidentes. Amizael Silva fez nosso primeiro plano de cargos e salários e realizou o único concurso público até hoje, aliás, em breve será realizado o segundo concurso para a Assembléia. Em termos de valorização dos servidores veio o Hermínio Coelho. Nenhum valorizo u o servidor da casa quanto o Hermínio. Um dia ele chegou pra mim e disse: Eu não gosto de servidor comissionado, gosto é de servidor estatutário.

 

Zk – Na realidade o senhor é concursado em qual cargo?

 

Manvailer – Fiz concurso e fui aprovado como Consultor Legislativo. Final do mês deve estar sendo publicada minha portaria de aposentadoria, porém, dei minha palavra ao presidente Maurão que ficarei até o final do mandato dele. Lembrando que foi o Neudir que deu o ponta pé inicial, para a construção do novo prédio que deve ser inaugurado em julho ou agosto.

ENTREVISTA: Confira a coluna "Lenha na Fogueira", por Zékatraca
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