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Duas Culturas, um Idioma (será?), por José Gomes

Portugal bebeu muito da generalizada cultura brasileira

POR JOSÉ GOMES

30 de Julho de 2018 às 13:26

Duas Culturas, um Idioma (será?),  por José Gomes

FOTO: (Divulgação)

Muito se fala acerca de Portugal e Brasil serem duas culturas que partilham a mesma língua, mas corresponderá isso à realidade?


 

Primeiro, deveremos ter em consideração que Portugal tem uma área inferior a 100.000 km2, ao passo que o Brasil dispõe de mais de 8.500.000 km2 de área. Isso significa que sendo o pequeno Portugal um país de microculturas, deveremos compreender o Brasil como um país multicultural, quer devido à sua extensão, quer devido ao conjunto de componentes étnicas que constituem a sua população.


 

Depois, teremos o fato de que apesar de o Brasil ter sido “descoberto pelos Portugueses” (nem irei aqui classificar moralmente essa descoberta nem o processo de colonização), Portugal e o Brasil se “desconheceram” durante séculos - até á finais do século XX.


 

Neste último aspecto, o conhecimento da cultura do outro, os portugueses levam uma enorme vantagem relativamente aos brasileiros, pois quer através da literatura, quer através da música ou mesmo, um pouco mais tarde, através de programas televisivos (novelas), Portugal bebeu muito da generalizada cultura do Brasil.


 

Para mim, e para muitos dos meus conterrâneos, foi Jorge Amado o instigador à descoberta de uma cultura fascinante. Mar Morto, Capitães de Areia, São Jorge dos Ilhéus, Gabriela Cravo e Canela, Teresa Batista Cansada de Guerra e Tieta do Agreste – só para enumerar as obras que li – foram os primeiros contatos com a cultura, o folclore, a política e as crenças do povo brasileiro.


 

Na panorâmica musical, chegava aos portugueses, na segunda metade do século passado, um movimento mais tarde conhecido por MPB. Impossível resistir ao encanto da conjugação da melodia com as palavras de Vinícius de Moraes (entre outros). Nessa época, Portugal foi, docemente, colonizado por Elis Regina, Chico Buarque, Gilberto Gil, Gal Costa, Jorge Ben, etc.


 

Mas o maior impacto foi o televisivo – já que a literatura requer um “esforço” e um interesse particular por parte da população (a música também, mas em muito menor grau). A chegada à televisão de Portugal da primeira novela brasileira (Gabriela Cravo e Canela) teve um gigantesco impacto na população portuguesa. Não existia, na década de 1970, esse género de produção em Portugal, era também a apresentação de uma cultura nova, o aparelho televisivo era raro nos lares portugueses. O resultado foi, literalmente, a paragem do país na hora da novela – os trabalhos parlamentares eram interrompidos no horário da transmissão para os deputados poderem assistir à novela.


 

Portugal tem um ligeiro conhecimento de mais de quarenta anos acerca do Brasil - supostamente, devido ao idioma comum. Refiro supostamente porque, para além do sotaque, as expressões idiomáticas brasileiras demoraram tempo a serem familiares ao aparelho auditivo dos portugueses. E nos dias de hoje, muitas dessas expressões já fazem parte do vocabulário português (de Portugal).


 

Apesar de tudo a que me referi anteriormente, e olhando em termos práticos, se jogarmos um português no interior do Brasil ele irá se virar, mas com uma enorme dificuldade, pois o idioma não é tão comum assim e, não adianta você entender quase tudo se não se conseguir se fazer compreender.


 

Pretende este breve artigo ser uma nota introdutória para uma série de artigos futuros, cujos temas serão ligados a Portugal e á Europa, dando a conhecer de forma simples, o que acontece a mais de 7000 km de distância.


 

*José Gomes reside na cidade de Santarém, Portugal, e é um apaixonado pela cultura brasileira


 

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