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ENTREVISTA: Confira a coluna "Lenha na Fogueira", por Zékatraca

"Gravamos a entrevista que segue, sexta feira, na Casa da Cultura Ivan Marrocos"

ZÉKATRACA

1 de Outubro de 2018 às 10:05

ENTREVISTA: Confira a coluna "Lenha na Fogueira", por Zékatraca

FOTO: (Zékatraca)

‘Resumindo a história, o Dimas chegou na porta do quarto que estava morando no PVH com uma pasta e disse que eu teria que comparecer ao Palácio do Governo as 9 horas, pra falar com a dona Ilza que era diretora do Departamento de Pessoal. Eu fiquei até com medo de mandarem me prender porque estava dormindo no Porto Velho Hotel, que nada, me contrataram como office boy’

 

‘Estorei mesmo com o 6º LP “Garimpeiro Apaixonado” que vendeu 400 Mil cópias; A música que estourou foi “Amor Proibido”. Essa música me deu meu primeiro disco de ouro (100 Mil cópias), do programa do Bolinha. Quando chegou nas 400 Mil cópias veio o Disco de Platina, foi então que fui contratado pela produção do Bolinha e passei a fazer parte da Caravana do Bolinha aí foi a consagração’

 

 

 

ELDON BRITO

 

O primeiro artistas cantor rondoniense a fazer sucesso em todo o Brasil

 

 

A história do Eldon Brito é muito bonita. Sem medo de nada, ele saiu de Porto Velho com apenas o correspondente nos dias atuais, a R$ 50 e depois de trabalhar numa pastelaria em São Paulo e de ouvir do cantor Agnaldo Timóteo: “’Se você quer ser artista, primeiro arranja um emprego”, lutou e chegou a vender mais de 400 mil cópias de um dos seus 30 LPs gravados.

 

Eldon Brito apesar de fazer sucesso no Nordeste e em cidades do Sudeste até hoje, é pouco conhecido em seu estado natal Rondônia. De visita a sua mãe que reside em Porto Velho o engenheiro de formação que nem sabe quanto ganha um profissional engenheiro, vive exclusivamente de música, em especial dos direitos autorais de suas composições, que podem ser baixadas nas plataformas digitais pelo mundo.

 

Gravamos a entrevista que segue, sexta feira, na Casa da Cultura Ivan Marrocos e ficamos encantados com a história do Eldon Brito.

 

 

ENTREVISTA   

 

 

 

 

Zk – Vamos começar?

 

Eldon Brito – Nasci em Guajará Mirim com o nome de Osvaldo Soares que posteriormente se transformou no nome artístico Eldon Britto que foi adotado, através de votação em família. Na realidade, nasci em 1965, na localidade chamada Prainha. Minha mãe dona Dormelina Alves de Brito e meu pai Pascoal Soares de Brito que não cheguei a conhecer porque o perdi quando tinha três anos de idade.

 

Zk – Quando começa sua história na comunicação?

 

Eldon Brito – É uma história interessante! Lá em Guajará eu gostava de desenhar histórias em quadrinhos e a época, em frente a minha casa, morava a diretora da maternidade que se chamava dona Margareth Palácios e devido essa minha facilidade em desenhar personagens de revistas em quadrinhos, ela me proporcionou uma bolsa de estudos em Porto Velho. Com a transição de governo, o novo governador cortou as bolsas estudos. Ao perder a bolsa, perdi também o local onde eu morava, que era no Quartel da Guarda Territorial na Arigolândia. Lembro que peguei minha malinha com um pouquinho de roupa, cheguei perto do Palácio do Governo e naquela época o Porto Velho estava abandonado e eu fiquei sentado a noite, no murinho que tem la até hoje, foi quando o vigia chegou e perguntou o que eu estava fazendo e eu contei a história da bolsa e do alojamento da PM e ele liberou um quarto do Porto Velho Hotel pra mim dormir naquela noite. No dia seguinte comecei a freqüentar a praça Aluizio Ferreira e entre os amigos que fiz jogando bola, tinha um que era filho do Dimas Queiroz de Oliveira que trabalhava na Assessoria de Imprensa e Relações Públicas do Palácio do Governo. Eu havia emprestado ao filho do Dimas umas das revistas com meus desenhos e o Dimas perguntou quem havia feito aqueles desenhos e o filho dele informou que tinha sido um “moleque” que estava morando no Porto Velho Hotel etc. Resumindo a história, o Dimas chegou na porta do quarto que estava morando no PVH com uma pasta e disse que eu teria que comparecer ao Palácio do Governo as 9 horas, pra falar com a dona Ilza que era diretora do Departamento de Pessoal. Eu fiquei até com medo de mandarem me prender porque estava dormindo no Porto Velho Hotel, que nada, me contrataram como office boy, foi aí que começou minha trajetória artística aqui em Porto Velho.

 

 

Zk – A TV Educativa?

 

Eldon Brito – Quando foi implantada a TV Cultura aqui, a programação era diversificada apesar de não ser muito profissional mesmo assim, a direção procurou colocar em cada setor, especialistas e nessa eu fui escolhido pra fazer os desenhos que seriam compatíveis com cada programação. Foi quando criei a figura de um indiozinho. Esse índio tem uma história que até hoje pouca gente sabe.

 

Zk – Vamos contar?

 

Eldon Brito – Na época me inspirei na logomarca do guaraná Parecis que até hoje existe em Guajará Mirim que é um índio e então a logomarca da TV Cultura de Porto Velho é a figura do índio do Guaraná fabricado em Guajará. O fato interessante que aconteceu foi que eu colocava meu nome em todos os desenhos e então uma diretora me chamou em seu gabinete e pediu pra eu não colocar mais minha assinatura nos desenhos, se não me engano o nome dela é Jussara Gottlieb.

 

Zk – Como foi que você se transformou em artista cantor e compositor?

 

Eldon Brito – La em Guajará Mirim compus minha primeira música quando tinha mais ou menos de 11 pra 12 anos “Menina da Escola”. Nesse contexto me matriculei no Colégio Tenente Wanderley que funcionava atrás da Catedral. Num determinado festejo do dia das mães a diretora chamada Terezinha me pediu que compusesse uma música pra tocar na Catedral, então compus a música chamada “Quadra Deserta”. Quando terminei de cantar, os aplausos ecoaram e no meio do público estava o locutor da Caiari Edinho Marques que se identificou pra mim e me convidou para cantar a música em seu programa. Quando cheguei na rádio com o violão, ele disse que eu não iria cantar ao vivo, que iria gravar e assim foi feito. Quando cheguei em casa a primeira coisa que minha mãe falou foi: “Ouvi você cantando na rádio”. Edinho me chamou de novo e disse: “Rapaz continua a carreira artística, enfrenta isso aí que tu leva jeito”. Eu nem, sabia por onde começar uma carreira artística e ele insistiu: “O único jeito é você viajar pra São Paulo”.

 

Zk – Você atendeu o conselho dele?

 

Eldon Brito – Peguei o dinheirinho que tinha, comprei a passagem de ônibus. Seria hoje sair daqui pra São Paulo com o violão, a malinha e cinquenta reais. Daqui pra Cuiabá era estrada de chão, lama pura. Foram 16 dias pra chegar em São Paulo.

 

Zk – E já em São Paulo?

 

Eldon Brito – Sai pela avenida Rio Branco e numa banca de revista encontrei o Agnaldo Timóteo. Nossa encontrar uma ídolo logo de cara foi o máximo, fui logo perguntando pra ele o que eu faria para começar uma carreira artística? Ele olhou pra mim dos pés a cabeça e falou: “Arruma primeiro um emprego, depois você corre atrás disso”. Ele tinha razão.

 

Zk – Qual foi seu primeiro emprego em São Paulo?

 

Eldon Brito – Fui trabalhar como atendente numa pastelaria dos coreanos na avenida São João e nas minhas folgas eu procurava as gravadoras. Eu chegava na portaria o guarda olhava pra mim e dizia: “não tão pegando ninguém”. Depois de mais de vinte vezes, ele disse: “Deixa tua fita (cassete) aí que vou entregar pro Tony Dim” que era diretor de repertório da gravadora. Nessas andanças conheci o cantor Cassiano Costa que me apresenta o Tony Dim dentro da Copacabana e então comecei a assinar contrato como autor das canções.

 

 Zk – O que aconteceu depois?

 

Eldon Brito – Um empresário do Paraná foi a São Paulo divulgar seu estabelecimento na Folha de São Paulo e nesse dia, eu tinha ido a Folha de São Paulo com um amigo e la conheci a Sonia Abrão que se tornou grande amiga minha até hoje graças a Deus, perguntei a ela o que deveria fazer para aparecer no jornal e ela perguntou o que eu fazia e então ela fez uma matéria comigo que foi publicada no jornal Notícias Populares. Diante da repercussão da matéria, aquele empresário do Paraná entrou em contato comigo e propôs uma parceria. Ele investiria na minha carreira pra gravar o primeiro disco um Compacto Duplo (quatro músicas). A proposta dele que aceitei era que ele ficaria com 50% do que entrasse da venda do disco e dos shows. Negócio fechado!

 

Zk – Como foi a gravação do primeiro disco?

 

Eldon Brito – Por incrível que pareça, eu conhecendo todas essas gravadoras fui gravar num selo chamado Solimar. Minha amiga Claudia Telles forneceu seu conjunto musical para gravar me acompanhando. O disco saiu no final de 1979 e foi o maior sucesso em todo Norte e Nordeste. Rapidamente a RCA me chamou e fez o relançamento do Compacto que vendeu de cara, 60 Mil cópias.

 

Zk – Você ficou na RCA?

 

Eldon Brito – O erro deles foi que fizeram um contrato só para o relançamento do Compacto e aí, chegou o Carlos Santos e me levou pra Belém e lá gravamos o primeiro LP que saiu em 1982 pela Gravasom. Vendi 40 Mil. Só que o Carlos Santos também não assinou contrato. A distribuição do LP foi pela Polygram e a Polygram então me levou pro Rio de Janeiro e assinou um contrato de oito anos comigo.

 

Zk – Quantos discos você gravou pela Polygram?

 

Eldon Brito – Estorei mesmo com o 6º LP “Garimpeiro Apaixonado” que vendeu 400 Mil cópias; A música que estourou foi “Amor Proibido”. Essa música me deu meu primeiro disco de ouro (100 Mil cópias), do programa do Bolinha. Quando chegou nas 400 Mil cópias veio o Disco de Platina, foi então que fui contratado pela produção do Bolinha e passei a fazer parte da Caravana do Bolinha aí foi a consagração.

 

Zk – Pra contratar o Eldon Brito?

 

Eldon Brito – Meu celular é (69) 99338-5565 ou então via email eldonbrito@hotmail.com ou eldonbrito2012@hotmail.comque é o oficial. Quer conhecer realmente minha história digita na internet apenas Eldon Brito que vai ter história até da minha avó. 

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