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ARTIGO: O injusto linchamento de Raul Seixas no tribunal lavajatista das redes sociais

No livro, aparece um documento que indicaria que o músico “dedurou” o escritor Paulo Coelho e sua namorada na época, Adalgisa Rios, que acabaram presos

BLOG DA LUCIANA OLIVEIRA

28 de Outubro de 2019 às 09:38

ARTIGO: O injusto linchamento de Raul Seixas no tribunal lavajatista das redes sociais

FOTO: (Divulgação)

“Triste momento este que vivemos no Brasil. As redes sociais, em vez de contribuírem para conscientizar politicamente a sociedade e para disseminar informações corretas, favorecem o comportamento de manada: as pessoas seguem, sem pensar, as turbas movidas pelo ódio para linchar o desafeto da vez”, escreve Cynara Menezes sobre.

 

Sou fã declarada de Raul Seixas e das músicas que fez com Paulo Coelho. Admiro ambos, a despeito da má vontade da crítica literária brasileira com a obra do “mago”. Foi, portanto, com espanto e indignação que recebi a “notícia” de que o cantor baiano poderia ter delatado o parceiro na época da ditadura, surgida a partir de uma matéria publicada pela Folha de S.Paulo na quarta-feira, 23 de outubro, sobre uma nova biografia de Raul escrita pelo jornalista Jotabê Medeiros, Não Diga Que a Canção Está Perdida (editora todavia).

 

No livro, aparece um documento que indicaria que o músico “dedurou” o escritor e sua namorada, Adalgisa Rios, que acabaram presos. Paulo foi torturado por duas semanas em 1974, mesma época em que o cantor foi ao DOPS depor e ficou apenas 30 minutos. A reportagem afiança que Jotabê acredita que o escritor “não tem dúvidas de que Raul o entregou”. Paulo Coelho chegou a divulgar a reportagem da Folha com o comentário: “Fiquei quieto por 45 anos. Achei que levava segredo para o túmulo”.

 


De cara, a tentativa de “simonalização” de Raul me pareceu injusta, primeiro porque o cantor está morto há 30 anos e não pode se defender. E, mais importante, porque o “documento” revelado é absurdamente inconclusivo. Com base nele, não é possível afirmar nada, quanto mais apontar Raul como dedo-duro. Além disso, o que exatamente o cantor poderia “dedurar”? Paulo afirma não ter sido militante de nenhuma organização; e não estava foragido ou na clandestinidade. Delatar o quê? Reagi com firmeza no twitter, lamentando o julgamento precipitado sobre o cantor.

 

Autor: Jornalista Luciana Oliveira

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