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O PATRÃO SUPREMO - 48 horas de coração nas mãos

POR OSMAR SILVA

7 de Outubro de 2018 às 10:09

É nessa hora que o mais arrogante e poderoso presidente, governador, senador ou deputado em busca da reeleição, amarela e treme nas bases. Ele sabe os pecados que cometeu e o quanto precisa de um novo mandato para se manter protegido no fórum privilegiado onde tudo é possível. E ele quer continuar gozando de todos os privilégios que herdou ou ajudou criar sem consultar o dono do seu mandato: o eleitor.

 

Nessa hora grave, à espera da decisão suprema do seu patrão, se vai lhe dar ou não uma procuração com validade de 4 anos, o candidato veterano ou estreante, consulta seus botões: será que fiz certo? Será que fiz o bastante? Será que os eleitores acreditaram em mim? Será que vou ganhar?

 

Essa mesma angústia vive os assessores de cada um dos candidatos. Uns, sonhando com as maravilhas do poder. Outros, já habituados, vivendo a angústia de perder os privilégios. Será que vou continuar tendo o meu cargo, meu gabinete, meu motorista, minha secretária? 

 

É, o poder cria essa sensação de propriedade. O sujeito eterniza o tempo, o mandato e se apropria até das pessoas que o auxiliam. Passa no meu gabinete e deixa com o meu assessor.

 

As noites destas 48 horas são longas, cheias de dúvidas, tenebrosas e temerosas. Do alto do poder do mandato que se encerra e talvez não se renove, a cabeça rola no travesseiro: e se eu perder, o que será de mim daqui pra frente? As coisas estão ficando tão complicadas ... A gente não tem mais garantias. Ah! Meu Deus! Meus processos vão descer. E se cair nas mãos do Sérgio Moro, o que eu vou fazer? Perco tudo, até minha amante. E como vou viver sem os afagos da minha lindinha! Hem?

 

De fato, a eleição é uma caixa de surpresas. De tudo acontece. Quem estava em cima, desce, E quem descia sobe de repente, e tira o biscoito da boca do outro que já sentia o sabor da degustação.

 

Mesmo os bem avaliados nas pesquisas vivem, no silêncio e solidão do quarto, seus momentos de angústia. Não dorme. Desmaia abatido pelo cansaço físico do esforço desprendido nos últimos dias. Acorda atormentado pela sensação de que fez pouco. Podia ter feito mais. Nossa! Como não lembrei de visitar o compadre Quincas? Só ele poderia me dar uns 70 votos!

 

São 48 horas em que a bola estará totalmente debaixo do braço de sua excelência o eleitor. Empoderado de toda glória e poder, ele comanda o jogo.

 

Aquela pessoa simples, que passa do outro lado da rua, empurrando o carrinho de lixo reciclável, é o senhor do destino do todo poderoso que, agora, dele depende. Só ele salvará seus sonhos ou o enviará para o inferno astral dos derrotados.

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Osmar Silva

Osmar Ferreira da Silva, 70 anos, jornalista, bacharel em direito pela Uniron, vindo da Bahia ha 36 anos, fundador do Jornal O Parceleiro em 1979 em Ariquemes, e Gazeta de Rondônia em 1980 em Ji-Paraná, escritor ficcionista e poeta inédito. Ex-secretário de Justiça, ex-diretor do Sebrae, no governo Jerônimo Santana, ex-presidente do Iteron(Instituto de Terras de Rondônia) no governo Osvaldo Piana, ex-secretário de Administração e ex-secretário de saúde de A

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