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Os intocáveis

POR OSMAR SILVA

18 de Março de 2019 às 09:14

Não me toque, não me rele, não me olhe com essa cara, não fale assim! Tá pensando o que? Quer ser preso? Foi o que pensou e falou o ministro Enrique Ricardo Lewandowski ao passageiro do avião que o interpelou.

 

É assim que os todos poderosos ministros da justiça brasileira, com raríssimas exceções, se comportam diante do prenúncio de qualquer coisa que lhes desagrade.

 

O ministro Gilmar Mendes, da mesma corte, comparou agentes da Receita Federal que investigavam suas movimentações financeira aos membros da Gestapo, a temível polícia política de Hitler. 

 

Não suportam críticas, opiniões contrárias nem qualquer tipo de fiscalização de seus atos, de suas vidas. São adversos ao contraditório, principalmente se versar sobre seus ‘equívocos’ jurídicos ou atos e comportamentos profissionais.

 

Não, não e não! E sabem por que? Porque ‘Deuses’ não erram! São intocáveis. É assim que se acham.

 

É só na Constituição que são pessoas públicas. Mas o público, o cidadão, não é digno de sequer tocar a fímbria de suas togas, roupa sagrada dos ‘sacerdotes’ da lei.

 

Entenda, ‘Eles’, são os guardiões da Lei, os intérpretes da Lei, os que ‘alargam’ o alcance da Lei e os que ‘encolhem’ a abrangência da Lei conforme suas ‘sagradas’ cabeças, suas ‘sapiências’ infalíveis. Tudo de acordo com o interesse, a conveniência e a necessidade. Própria ou de outrem?.

 

Deu para entender? Os guardiões, intérpretes e aplicadores da Lei ‘usurpam’ a competência do Congresso Nacional e fazem, às suas interpretações, a própria Lei. Eles são, aos seus juízos, o espírito da Lei.

 

Então, vida pública passível de erros, críticas e admoestações são coisas para os políticos, para os membros dos poderes executivo e legislativo, que dependem da avaliação do público, do voto do cidadão.

 

Quer criticar? Critique o governador, o presidente, o prefeito, o senador, os deputados, os vereadores, os ministros, os secretários. A nós, não! Não dependemos do voto do público, do eleitor.

 

O público só entra em nossa vida para pagar nossas contas, nossos benefícios, nossos privilégios, nosso champanhe, nosso jatinho, nossa criadagem, tudo que está na Lei.

 

É por conta dessa arrogância toda que vemos vossas excelências melindradas, nervosas, subindo nos tamancos com o povo brasileiro que insiste em criticar suas falhas nas redes sociais, em todos os cantos e por todos os meios.

 

Mas eles são intocáveis. Todos poderosos. Por isso mesmo, vítimas da plebe ignara que estão sendo agora, mandam instalar inquérito, de ofício, para investigar cada bobagem que falamos, escrevemos ou pensamos. E vão julgar, eles mesmos, as nossas falhas. Que chance temos de salvação?

 

Viu a democracia deles, o estado democrático de direito que eles entendem? O tamanho da liberdade e independência que acreditam ter?

 

E nem venha com papo de que o inquérito autorizado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, José Antônio Dias Toffoli, contra o povo brasileiro é ato de censura. De forma alguma.

 

É, na verdade, ato ilegal diante do ordenamento jurídico do Brasil. É demonstração clara de arrogância e desprezo pelo povo brasileiro. Além de ato ditatorial de quem se acha acima da lei.

 

São falsos patriotas, profetas da impunidade. Querem acabar a Lava-a-Jato, aproveitando que o juiz Sérgio Moro, a pedra grossa do sapato, se afastou da magistratura. 

 

Acham que a procuradora geral da República, Raquel Dodge e o coordenador da Operação Lava a Jato, Deltan Martinazzo Dallagnol, são galhos fracos. Por isso, mandaram os corruptos, ladrões e criminosos do povo brasileiro para a competência da Justiça Eleitoral. Sem estrutura, sem pessoal e sem experiência. Tiraram da esfera criminal que tem tudo qua a outra não tem.

 

Reduziram a importância da Lava a Jato à metade. Muitos escroques serão beneficiados. O combate ao crime sai derrotado. Mas outros ganham. Quem, quem, quem?

 

Isso tem que acabar. O povo está indignado. Uma luz de esperança surge no Congresso Nacional. No senado, onde está nascendo a “CPI da Toga” para investigar as condutas e atos de vossas excelências. E submetê-los à lei e à opinião pública.

 

Afinal, quem paga o pão é, também, quem dá o castigo.

 

Por fim, além de poderes independentes e de imprensa livres, a democracia só existirá se o povo, o cidadão, também for livre para pensar, falar, emitir opinião. Se não for ‘amordaçado’. E isso, o presidente do STF omitiu em sua fala à imprensa nacional.

 

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Osmar Silva

Osmar Ferreira da Silva, 70 anos, jornalista, bacharel em direito pela Uniron, vindo da Bahia ha 36 anos, fundador do Jornal O Parceleiro em 1979 em Ariquemes, e Gazeta de Rondônia em 1980 em Ji-Paraná, escritor ficcionista e poeta inédito. Ex-secretário de Justiça, ex-diretor do Sebrae, no governo Jerônimo Santana, ex-presidente do Iteron(Instituto de Terras de Rondônia) no governo Osvaldo Piana, ex-secretário de Administração e ex-secretário de saúde de A

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