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Poetas dos acordes

POR RUDNEY PRADO

21 de Outubro de 2019 às 09:01

Poetas dos acordes

FOTO: (DIVULGACÃO)

Dia 20 de outubro foi o Dia do Poeta. Rondônia tem grandes nomes que nos representam nessa arte, embora não tenhamos uma produção grande literária. Algumas poucas publicações de cunho histórico, mas quase nada dedicado à poesia. Então onde estão os poetas da terra?  Estão numa outra arte onde a poesia é muito bem-vinda: na música de alta qualidade que se faz em nosso estado. Compositores como Bado, Binho, Zezinho Maranhão, Augusto Silveira, Silvio Santos, Waldison Pinheiro, Mávilo Melo, Ernesto Melo e outros tantos abriram o caminho para uma identidade musical Beradeira,  cunhada com riqueza rítmica, belas melodias, harmonias surpreendentes e letras de inegável valor poético. Essa identidade beradeira, cabocla, é expressada principalmente pela música. Uma música que deu voz a nossa cultura e contribuiu para derrubar preconceitos. Uma caboclada mais nova chegou para bater cabeça e tambores e reafirmar essa identidade com mais força, especialmente pela boca de compositores como Boca e Samuel, da Banda Quilomboclada. Desde então Beradeiro com orgulho e atitude é simplesmente Béra. As letras da rapaziada e as revolucionárias performances de palco ganharam, de pronto, o respeito dos pioneiros a trilhar o caminho da construção uma identidade cultural autêntica, e hoje inspiram os novos artistas.

 

Inspirado por todos eles e por um tanto de goles da água do Madeira publico hoje uma poesia sobre ser beradeiro.  Seja um Berá nativo ou adotado por essa terra, por esses rios e por esses igarapés.

 

Beradeiro

 

Beradeiro aqui no norte é essa gente forte

lá da beira do rio, do igarapé.

 

É um povo que desde criança traz nos olhos

uma margem de esperança, outra de fé.

 

É mulher que abraça o futuro, cantando cantiga de ninar.

É um velho que persiste,

insiste na arte de pescar

É um menino valente nadando contra a corrente,

só pra desafiar.

 

É um caboclo que para achar a saída

Mergulha na vida sem medo de se afogar

É uma cabocla bonita esperando quem não vem,

não vai voltar.

 

Os olhos doces perdidos na imensidão

de um rio a marejar, a marejar...


Rud Prado

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