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Comissão de senadores debate em Machadinho ação do Ibama PF na Operação Arco de Fogo na Amazônia

Comissão de senadores debate em Machadinho ação do Ibama PF na Operação Arco de Fogo na Amazônia

DA REDAÇÃO

24 de Abril de 2008 às 15:41

Comissão de senadores debate em Machadinho ação do Ibama PF na Operação Arco de Fogo na Amazônia

FOTO: (Divulgação)

Com a presença dos senadores Expedito Júnior (RO), Flexa Ribeiro (PA), Jaime Campos (MT) e Gilberto Goellner (MT), do deputado federal Lindomar Garçon e do deputado estadual Neodi de Oliveira, presidente da Assembléia Legislativa, centenas de moradores de Machadinho D´Oeste participaram com o governador Ivo Cassol de audiência pública na manhã desta quinta-feira (24), na Escola Estadual Alberto Nepomuceno para debater as conseqüências da Operação Arco de Fogo nos estados de Rondônia, Pará e Mato Grosso. A operação praticamente parou a economia de Machadinho e Cujubim, municípios que possuem grande dependência das madeireiras, hoje lacradas pelo Ibama e pela Polícia Federal. Recentemente a Operação Arco de Fogo resultou na apreensão de 3 mil metros cúbicos de madeira, o que equivale a 130 caminhões cheios, aplicou mais de R$ 15 milhões de reais em multas e suspendeu a licença de funcionamento de 25 madeireiras (10 madeireiras foram lacradas e 15 estão paradas por bloqueio de liberação de licenças de manejo). A comissão de senadores também analisou junto aos moradores, produtores rurais e empresários do setor madeireiro os reflexos da media provisória 6.231, que trata sobre as ações relativas à prevenção, monitoramento e controle de desmatamento da Amazônia. “A ação do Ibama, Incra e Polícia Federal inviabilizaram a região de Machadinho D´Oeste, propriedades rurais e madeireiras foram lacradas e os empregados demitidos hoje estão passando fome, não podem trabalhar por causa de medidas arbitrárias do Governo Federal. Exigimos respeito, somos empresários honestos, pagamos impostos e geramos empregos”, disse o presidente da Assembléia, deputado Neodi Carlos, ele mesmo vítima de autuação e lacre de suas propriedades pelo Ibama. O presidente da Associação Comercial de Machadinho, Amauri Vale, Wilson Popinhaki, que representou o setor madeireiro, e Edílson Correia, representante dos pequenos produtores rurais foram unânimes em mostrar a indignação com as ações desenvolvidas em Machadinho pelo Ibama e PF. ”Infelizmente os senhores senadores vieram à Machadinho para ver um funeral, por favor, nos ajudem, levem à Brasília o que os senhores viram aqui: estamos pedindo socorro!”, disse Popinhaki. Em seu discurso o prefeito de Machadinho, José Flávio Ribeiro, declarou que já houve uma queda de mais de 50% na arrecadação do município, e a situação é alarmante. “São centenas de famílias que estão dependendo de cesta básica para sobreviver, a merenda escolar já está virando a única opção de alimento para nossas crianças, estamos desesperados”, disse. “É preciso que o Incra, o Ibama e o Ministério do Meio Ambiente venham aqui para nos dar alternativas de sobrevivência, não é só chegar e multar e lacrar as madeireiras, como se fôssemos os vilões da estória”, disse o prefeito em seu discurso. Senadores indignados com o que viram e ouviram O senador Jaime Campos (DEM-MT) declarou estar indignado com o que viu no Pará e agora está presenciando em Rondônia. “Sou produtor rural e exijo respeito do Governo Federal. Aqui em Machadinho foi rasgado o pacto federativo, estamos voltando à época da ditadura, e isso não vamos admitir”. Jaime Campos lamentou a ausência dos senadores Valdir Raupp e Fátima Cleide na audiência, sendo bastante aplaudido pelos presentes. Também criticou a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, pela ausência nas audiências e pela falta de diálogo: “essa ministra não senta para negociar com as classes produtoras e ainda vem acusar, com dados errados, os estados do Mato Grosso e Rondônia de desmatamento”, disse. O senador Flexa Ribeiro (DEM-MT) parabenizou Cassol por estar presente à audiência e por estar defendendo o povo do seu estado nessa luta. Ele foi enfático ao dizer que o Senado defende a preservação da Amazônia, mas antes defende o homem que ocupou as florestas com apoio do próprio Governo Federal. “A ministra Marina quer defender a causa, ao invés de buscar soluções. Isso tudo é só para aparecer à mídia internacional. Ela deveria usar o dinheiro que está sendo gasto nesta operação para mandar à Amazônia um exército de técnicos para fazer a legalização das terras e oferecer alternativas à população. Quem manda no Ibama e no Ministério do Meio Ambiente são as ONGs internacionais, mas isso vai mudar. Tudo isso será mostrado ao presidente Lula”, finalizou. Expedito Júnior (PR-RO) defendeu os madeireiros e produtores rurais, criticando os critérios usados pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Ibama para multar e lacrar serrarias e propriedades rurais. “Vamos trancar a pauta do senado sim, até que esta questão seja resolvida. Vamos ser notícia na mídia nacional e acima de tudo, vamos defender as famílias atingidas por medidas arbitrárias dos órgãos federais. Eu defendo o povo de Rondônia e voto de acordo com a minha consciência”, disse Expedito. Cassol foi o último a falar, por volta das duas e meia da tarde, e defendeu com ênfase os madeireiros, cobrando das autoridades federais projetos e financiamentos para aproveitar melhor a madeira explorada na floresta. “Madeireiro não é bandido, ele não destrói a mata, ele faz corte seletivo, gera emprego e renda, e ainda por cima é multado e sua empresa é lacrada. Isso é inadmissível”, disse. O governador apontou as iniciativas do Governo do Estado para desenvolver a região, como o asfaltamento da estrada que leva Machadinho à BR-364, o Programa de Mecanização Agrícola em todos os 52 municípios, convênios de transporte escolar, pagamento em dia para funcionários e fornecedores e o crescimento da arrecadação estadual a cada ano. Segundo Cassol o Governo Federal não trás nada para o estado e muito menos para a população da região. “Tudo isso é para desviar a atenção da mídia para a investigação dos cartões corporativos e aparecer na mídia internacional. Não sou contra a fiscalização, sou a favor do trabalho honesto e do povo de Rondônia”, finalizou o governador, reafirmando que vai abandonar a vida pública no final do seu mandato, pois neste país se prende e condena um inocente a não acontece nada aos acusadores. Em resumo, o grande problema apontado aos senadores na audiência por todas as autoridades e pela população presente foi que a Operação Arco de Fogo veio para multar e lacrar propriedades rurais e madeireiras sem prévio aviso e, pior ainda, sem oferecer alternativas à população atingida pelas medidas tomadas pelos órgãos federais. Os senadores da Comissão de Meio Ambiente ouviram os reclames e, falando à população, se comprometeram a levar os reclames ao Senado Federal e buscar soluções junto ao Governo Federal para que os estados, municípios, empresas e propriedades rurais atingidos pela Operação possam retomar suas atividades sem maiores prejuízos e agindo na legalidade. Após a audiência de Machadinho, Cassol, senadores e deputados retornaram à Porto Velho para uma nova reunião com os deputados estaduais na Assembléia Legislativa, onde apresentariam o que viram em suas visitas à Cujubim e Machadinho D’Oeste e as providências a serem tomadas no Senado Federal.

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