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Porto Velho: Modernidade com Velhos Hábitos II – Por Professor Nazareno

Porto Velho: Modernidade com Velhos Hábitos II – Por Professor Nazareno

DA REDAÇÃO

30 de Novembro de 2010 às 14:46

Porto Velho: Modernidade com Velhos Hábitos II – Por Professor Nazareno

FOTO: (Divulgação)

 
Já ouvi muita gente dizer que Porto Velho não é o fim do mundo. Pode até não ser, mas que por aqui acontecem coisas do "arco da velha", não há dúvidas. Embalada pela construção das duas usinas hidrelétricas para a produção de energia apenas para beneficiar os Estados do Sul do país e sem ganharem absolutamente nada em troca, muitos dos habitantes locais se orgulham deste feito absurdo. Com uma população de aproximadamente 426 mil habitantes, segundo o último censo do IBGE, o fato é que em pleno século vinte e um a capital dos rondonienses ainda é uma cidade brega, mal planejada, suja, cara e que não oferece quase nada de moderno para os seus moradores. Se sair daqui resolvesse algo, acredita-se que muita gente já "tinha picado a mula". Muitas autoridades, filhos daqui mesmo, já moram fora do Estado faz tempo.
 
Conhecida orgulhosamente como a "Cidade das Hidrelétricas", talvez não haja no país uma capital onde a falta de energia seja uma constante. Todo santo dia praticamente os porto-velhenses têm de conviver com os irritantes apagões. Bairros inteiros ficam às escuras até por mais de 20 horas. Choveu, falta energia. A Ceron (Conseguimos Escurecer Rondônia) mudou de nome, só de nome mesmo. Mas se ligar no 0800, atendem direto do Rio de Janeiro. Não é incrível? E como presente pela incompetência, 10,60% de aumento para nós, otários consumidores. Para os outros, tudo. Para os rondonienses, nada. Apenas a grande e irreversível devastação do nosso já desgastado meio ambiente. Esses péssimos serviços têm como aliados os arroubos telúricos de meia dúzia de tolos que parecem não conhecer lugares mais civilizados.
 
Em Porto Velho, as transmissões de televisão ainda são feitas do modo tradicional. A maioria das capitais e cidades de grande porte já convive com esta tecnologia há mais de dois anos. TV digital é um mimo inacessível para muitos porto-velhenses. Apenas uma única emissora já se livrou da imagem analógica. Pior: quase toda a programação exibida pelas principais redes de televisão são gravações que os telespectadores vêem uma ou duas horas depois que já passarem no resto do país. Bancos existem na cidade e também há caixas eletrônicos. O gozado é que nos finais de semana eles quase nunca funcionam. A Internet daqui é lenta demais e enquanto muitas cidades já a têm grátis e rápida, aqui se paga uma fortuna. E não presta. Nós estamos acomodados achando que "Em Rondônia é assim mesmo...". E não é. Nós é que deixamos ser.
 
A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos de Porto Velho é uma piada. Geralmente entrega as contas de final de mês com dois, três ou mais dias de atraso. O cidadão de Porto Velho, que paga seus impostos em dia, sofre "o pão que diabo amassou" se não quiser quitar suas contas com juros e correção. Pela Internet é quase impossível: além da lentidão, sempre há cabos de fibra ótica sendo consertados. Nos caixas eletrônicos não há muita condição, pois eles estão sempre fora do ar ou com saques indisponíveis. Nas lotéricas é muito difícil por que há muita falta de energia e também muita gente sempre "fazendo uma fezinha". Não basta ter as coisas que o mundo civilizado tem, é preciso que elas funcionem e dêem garantias ao cidadão. A violência crescente, o alagamento das ruas, o alto preço da carne e uma penitenciária para abrigar os bandidos perigosos do Rio de Janeiro é o que nos fazem semelhantes ao Sul do país.
 
O Transporte coletivo daqui é um caos completo. Duas horas é o tempo médio de espera em cada parada de ônibus. Isso numa cidade que é do tamanho apenas de um bairro de porte médio de São Paulo. As autoridades tentaram resolver o problema criando o serviço de mototáxi e construindo viadutos que ainda estão inacabados e algumas passarelas que só servem para serem observadas quando os transeuntes passam por baixo delas. Alugar uma casa imunda ou um apartamento sujo por aqui é mais caro do que um flat à beira-mar ou na paradisíaca Serra Gaúcha. O único Shopping Center da cidade ainda tem uma madeireira no pátio e é um lugar moderno, mas que convive com assaltos e até mortes. Esta madeireira é a síntese da Porto Velho atual: a modernidade chegou, está ali bem ao lado, mas tem que conviver com o velho e o ultrapassado. E tudo isto por que disseram que isto aqui ia mudar. Está mudando sim, mas para pior.
 
 

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