close

Prefeitura da capital deixa saúde pública entregue ao caos

Prefeitura da capital deixa saúde pública entregue ao caos

DA REDAÇÃO

17 de Março de 2016 às 16:29

Prefeitura da capital deixa saúde pública entregue ao caos

FOTO: (Divulgação)

 Em pouco menos de dois meses, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Rondônia (Cremero) através de seu presidente, Dr. Cleiton Bach e vice-presidente Dr. Andrei Leonardo voltou a realizar fiscalizações nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA) da zona Leste e Sul de Porto Velho. As ações, que pertencem a um cronograma de visitas do Cremero, aconteceram na manhã desta última terça-feira (15).

A primeira unidade a ser visitada foi a UPA zona Leste que atualmente está sob a direção de Raimundo Lamarão. Neste local, ainda existem muitos problemas a serem resolvidos, que vão desde a questão estrutural, quanto à falta de médicos e medicamentos. A unidade está funcionando com menos da metade dos médicos, número insuficiente para atender a demanda da região. “Voltamos e percebemos que os problemas continuam. A unidade não possui segurança, faltam medicamentos básicos, a exemplo do Fenergan, a estrutura continua comprometida com mofo e goteiras. O pior de tudo isso é verificar que a população sofre por conta de um problema que já poderia ter sido resolvido há muito tempo, que é a falta de médicos” explicou o presidente do Cremero, Cleiton Bach.

O diretor da unidade informou que espera pelo aumento do quadro de profissionais desde o ano passado. “Infelizmente temos que esperar que a prefeitura faça a convocação dos médicos que passaram no último concurso. Hoje nós estamos tentando fazer o nosso melhor com apenas 16 profissionais. O ideal seria que tivéssemos no total, pelo menos 36 médicos” destacou Raimundo Lamarão.

A unidade recentemente foi alvo de um episódio lamentável. Uma mãe que aguardava atendimento há mais de três horas teve um ataque de fúria e agrediu uma médica e o vigia patrimonial ao invadir seu consultório. O caso ocorrido na semana passada repercutiu em toda a imprensa. “Esses casos não são raros. Aqui nossos médicos têm constantemente passado por agressões, sejam elas físicas ou não. É uma triste realidade” finalizou Lamarão.

A UPA da zona Leste estuda agora a implantação de uma porta de blindex para inibir a passagem não autorizada de pacientes aos consultórios. Outro problema que tem contribuído para a demora no atendimento aos pacientes é o sistema usado nos computadores, que segundo os profissionais, trava bastante.

A unidade possui ao todo 19 leitos. Quatro deles estão sem colchão. Os demais em sua maioria estão sucateados com rasgos e emendas. O laboratório continua com goteira, um problema que acomete a UPA desde a sua instalação. A diretoria espera ainda a construção de mais banheiros para os servidores, pois atualmente conta com um feminino e outro masculino.

Na zona Sul não é diferente

Após concluir a fiscalização a equipe do Cremero seguiu para a Unidade de Pronto Atendimento da Zona Sul, situada na Avenida Jatuarana. Lá a demanda tem aumentado, segundo o diretor geral Gilmar Marinho. “A falta de médicos nos postos de saúde da zona Leste e até mesmo a redução no atendimento da UPA daquela região tem feito com que a nossa demanda aumentasse e muito” explica o diretor.

Assim como na Leste, a UPA da zona Sul atende diariamente cerca de 400 pessoas. Um dos maiores problemas enfrentados é com relação à estrutura física. Apesar de não ter faltado medicamento, a unidade também sofre com a escala de médicos reduzida o que implica diretamente na celeridade dos atendimentos. “Nossa unidade está sobrecarregada” desabafa o diretor.

Uma médica que realizava atendimento também foi agredida na unidade. O fato ocorreu no mês passado. Segundo o diretor, a unidade de saúde funciona com um quadro de 20 médicos. “Trabalhamos com uma escala de dois médicos. O restante é tudo extra” enfatizou Marinho.

Segundo informações da diretoria a unidade espera por uma reforma desde o ano passado. Problemas com a documentação da empresa licitada teriam adiado a reforma. Dentre os principais problemas também está a questão do encanamento inadequado que tem gerado vários tipos de problemas, como a umidade, mofo, mau cheiro, entupimento de ralos entre outros. A diretoria da unidade também reclama do tamanho da fossa, inadequada para a demanda. O caminhão fossa vai até a unidade uma vez a cada três dias. A unidade também aguarda a contratação de mais médicos.

Baixos salários e condições de trabalho

O problema da falta de médicos nas unidades não se dá somente por conta da demora da convocação dos aprovados em concursos públicos. Segundo o presidente do Cremero, muitos dos médicos que aqui se formam acabam exercendo a profissão em outros estados. Isso por conta não só dos baixos salários, mas também por causa das condições de trabalho. “Nossos profissionais precisam não só de segurança, mas também de uma melhor estrutura para exercer o seu trabalho. A falta de medicamentos essenciais, equipamentos, a sobrecarga de trabalho, ausência do plano de carreira, associado a um dos piores salários do país têm causado desinteresse de nossos profissionais. Nos transformamos em um grande exportador de médicos” concluiu Bach.

Devido aos números de agressões aos profissionais da saúde em todo o país, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) iniciou uma campanha de alerta e mobilização. O Cremero também já abraçou esta causa. “Nossos médicos trabalham pela vida. A agressão, seja ela física ou verbal, não vai melhorar a nossa situação. Ela não antecipa atendimento e não resolve nada, pelo contrário. Ela só desvia a atenção de quem mais precisa: o paciente. Somos tão vítimas quando a população de um sistema de saúde precário” finaliza o vice-presidente do Cremero, Dr. Andrei Leonardo.

MAIS NOTÍCIAS

PRIMEIRA PÁGINA
RONDONIAOVIVO TV
DESTAQUES EMPRESARIAIS
PUBLICAÇÕES LEGAIS
COLUNAS