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ARTIGO: Um dia de índio do lado de lá

Confira o artigo, por Pedro Manhães

PEDRO MANHÃES

23 de Abril de 2019 às 10:20

ARTIGO: Um dia de índio do lado de lá

FOTO: (pedro manhães)

Olhar daqui pra lá parece bem normal. Olhar de lá pra cá, ajusta o foco e clareia a visão.

 

A convite do jornalista Paulo Andreoli, fui conhecer de perto, neste final de semana, um pouco da cultura, das ideias e dos ideais do povo Kaxarari. Eram os festejos comemorativos do Dia do Índio, uma data criada para lembrar uma história que possui dois lados bem distintos: o de lá e o de cá.

 

Saímos de Porto Velho rumo à Extrema, distrito da chamada Ponta do Abunã, o último pedaço de Rondônia, ainda município de Porto Velho, antes do estado do Acre aparecer no horizonte.

 

Um trajeto inicial de 300 km pela estrada que corta o penúltimo pedaço do Brasil rumo ao centro-oeste da América do Sul, com seus lagos, suas represas e seus rios cortando a pista em diversos pontos do caminho.

 

No futuro, quando for duplicada e mais segura, certamente vai se tornar uma rota ainda mais privilegiada para o turismo e um novo e eficiente corredor para o escoamento da produção brasileira pelo oceano que fica do outro lado.

 

Do ponto de vista logístico é o caminho dos sonhos, rumo aos portos da costa oeste sul-americana: aqueles com vista para o Pacífico. A BR 364, que corta o Sul da Amazônia, pode contribuir para consolidar  a integração do Brasil no continente. 

 

E lá, no meio do caminho, fica Extrema. E a uns 40 km de Extrema vivem os Kaxarari. Um povo que que aproveita o Dia do Índio para mostrar aos seus - e aos que se aproximam - aquilo que é a verdade da história para quem viveu sempre do lado de lá: sendo atacado e tendo que defender com a força que tivesse, sua família, suas tradições, suas terras e o seu belo e agradável jeito de viver.

 

Um povo bonito, gentil, acolhedor e guerreiro, remoendo suas cicatrizes, revivendo suas lutas, chorando suas mágoas e marcando com sangue e com valentia suas vitórias na dura guerra pela sobrevivência.

 

Eles já foram milhares. Hoje restam apenas algumas centenas de homens, mulheres, jovens e crianças tentando garantir a preservação de uma cultura que nasceu, cresceu e se estabeleceu no meio da selva amazônica.

 

Os Kaxarari deixam claro que ainda sentem desconfiança em relação aos chamados homens brancos, mesmo com toda a integração que vem sendo construída ao longo dos anos. Não deve ser fácil mesmo. São 519 anos de história. Do lado de cá e do lado de lá.

 

Pedro Manhães, 51, é jornalista por vocação e homem de comunicação por circunstâncias da vida. Foi editor de jornais e revistas no interior paulista, hoje mora em Porto Velho (RO).

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