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DEVEDORES: Cada banco vai definir regras para negociações

Mutirão de 2 a 6 de dezembro para atender clientes interessados em rolar débitos não terá desconto e parcelamento padronizados. Participam BB, Caixa, Itáu, Bradesco e Santander

ESTADO DE MINAS

22 de Novembro de 2019 às 09:27

DEVEDORES: Cada banco vai definir regras para negociações

FOTO: (Divulgação)

O mutirão de renegociação de dívidas junto aos bancos, que será realizado entre 2 e 6 de dezembro, terá as participações de seis instituições: Banco do Brasil, Banrisul, Caixa, Itaú, Bradesco e Santander. Com base no acordo assinado ontem pelo Banco Central (BC) e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), 261 agências ficarão abertas até as 20h em todas as capitais do país para renegociar débitos de seus clientes. O diretor de Autorregulação e Relações com Clientes da Febraban, Amaury Oliva, destacou que não há padronização de descontos ou condições de parcelamento e que os bancos ficarão livres para promover as renegociações de acordo com seus termos.

 

No entanto, a expectativa é de que sejam oferecidos “descontos especiais” na semana da campanha. O site da Febraban – portal.febraban.org.br – vai informar na próxima segunda-feira a relação das agências que vão funcionar em horário estendido. Além da renegociação nas agências, o consumidor também poderá recorrer aos canais digitais dos bancos e à plataforma virtual consumidor.gov.br. Questionados, Febraban e BC não souberam mensurar quantas pessoas serão atendidas ou qual cifra da dívida será renegociada.

 

"Não planejamos uma meta, depende do interesse do cidadão e do consumidor de procurar o banco. Esperamos que adesão seja grande porque os bancos estão propiciando condições necessárias", afirmou o chefe do Departamento de Promoção e Cidadania Financeira do BC, Luis Gustavo Mansur. O presidente do BC, Roberto Campos Neto, destacou que as ações podem atingir 144 milhões de brasileiros com relacionamento bancário.

 

Além do mutirão, o acordo de cooperação técnica entre BC e Febraban prevê outras três medidas: a criação de uma plataforma que, além de conteúdo educacional, vai medir a saúde financeira dos cidadãos; premiação para incentivar ações de educação financeira; e uma semana de Estratégia Nacional de Educação Financeira, em maio, em que tradicionalmente também há um mutirão para renegociação de dívidas.

 

O termo assinado pelo BC e a Febraban cobre todas as 27 capitais do país, segundo o presidente da Febraban, Murilo Portugal, e define horário de funcionamento até 20h no período da campanha.enegociar esses débitos.

 

Sem transferência Pelo acordo, que tem vigência de 60 meses, não haverá a transferência de recursos financeiros entre as instituições financeiras. O plano inicial de trabalho, que prevê a realização das quatro ações (mutirão, plataforma on-line, concurso e apoio à Semana Nacional de Educação Financeira), terá duração de 24 meses.

 

De acordo com Portugal, além de renegociação de dívida, os clientes também terão acesso a orientações de educação financeira. A medida é parte do Acordo de Cooperação Técnica entre a autoridade monetária e a associação, com o objetivo de promover ações coordenadas na área de educação financeira.

 

“É do interesse do setor bancário orientar seus clientes sobre o melhor uso do credito, buscando difundir conhecimento que possa auxiliar transformações positivas de comportamento, melhorando a relação das pessoas com o dinheiro e sua qualidade de vida”, disse o presidente da Febraban.

 

Em nota, o diretor de Autorregulação da federação de bancos, Amaury Oliva, disse que a realização da Semana da Negociação e Orientação Financeira marca uma evolução importante nos esforços realizados pelas instituições financeiras para promover a utilização saudável do crédito. “Primeiro porque se trata de um esforço coordenado com o BC. Outro ponto é que os clientes receberão atendimento personalizado nas agências bancárias e terão acesso a conteúdos de orientação financeira desenvolvidos especificamente para o mutirão, que irão ajudá-los a administrar o orçamento pessoal e a construir hábitos saudáveis com o uso consciente do crédito.”

 

Enquanto isso...

...Passo arriscado

 

Os consumidores brasileiros voltaram a ficar mais propensos às compras neste mês, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A pesquisa da entidade que apura o indicador Intenção de Consumo das Famílias (ICF) mostrou aumento de 1,3% em relação a outubro, para 95,2 pontos, o quarto avanço consecutivo. Na comparação com novembro de 2018, o índice subiu 8,7%. Segundo a CNC, o bom desempenho do ICF está em linha com os sinais recentes favoráveis da atividade econômica, como inflação baixa, liberação de saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e PIS/Pasep e redução de juros, entre outros fatores. Na passagem de outubro para novembro, a alta do ICF foi puxada pelos componentes momento para aquisição de bens duráveis (4,5%), perspectiva de consumo (2,3%), renda atual (1,4%) e emprego atual (1%). O único componente que não apresentou crescimento foi o de compras a prazo.

 

SPC promete corte de 90%

 

O Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) conduz, desde ontem, feirão on-line de renegociação de dívidas, que promete descontos de até 90% nos débitos em atraso. A oportunidade é válida para consumidores de 11 capitais – São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Fortaleza, Recife, Goiânia, Cuiabá, São Luís, Teresina, Rio Branco e Manaus – e em mais quatro cidades do interior do país – Feira de Santana (BA), Ibirité (MG), Pato Branco (PR) e Santo Antônio da Platina (PR).

 

Cerca de 120 empresas participam da campanha, que se estenderá até 15 de dezembro, com condições que vão desde descontos até a possibilidade de parcelamento maior ou concessão de novo prazo para quitar a dívida. Para participar, o consumidor deverá fazer um cadastro no site oficial do feirão.

 

Após receber a confirmação de autenticidade, o cliente tem a opção de consultar seu CPF, gratuitamente, para verificar se há pendências e se elas estão disponíveis para negociação. “A praticidade em não ter de se deslocar até uma agência bancária ou uma loja para tentar um acordo com o credor é um benefício bastante atraente”, acredita Roque Pellizzaro Junior, presidente do SPC Brasil.

 

“Os canais digitais já se consolidaram nas transações bancárias e nas compras on-line. Agora é a vez das renegociações de débitos ganharem mais espaço nessas plataformas”, destaca. Na avaliação do executivo, o fim de ano é ideal para a renegociação das dívidas por causa da entrada do dinheiro extra na carteira do consumidor, como o 13.º salário e FGTS. “Quem está inadimplente deve priorizar o pagamento de dívidas com esse dinheiro”, afirma Pellizzaro. “É importante fazer um esforço para quitar as dívidas e consumir com responsabilidade para não reincidir nos atrasos.”

 

Dados do SPC Brasil mostram que o volume de consumidores com contas em atraso cresceu 1,58% no mês passado, na comparação com o mesmo período de 2018. A maior parte das dívidas em aberto no país, 53%, está ligada a instituições financeiras. O comércio responde por fatia de 17% do total de endividamento, enquanto o setor de telefonia por 12% e as contas de água e luz por 10%. 

 

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