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PT processa Globo, Huck e Faustão na Justiça Eleitoral por abuso de poder econômico

O partido alega que Huck cometeu e se beneficiou de abuso de poder econômico e dos meios de comunicação durante sua participação no "Domingão do Faustão", neste domingo (07)

UOL

9 de Janeiro de 2018 às 09:21

PT processa Globo, Huck e Faustão na Justiça Eleitoral por abuso de poder econômico

FOTO: (Divulgação)

Apesar de negar que vá disputar a Presidência nas eleições deste ano, o apresentador da TV Globo Luciano Huck tornou-se alvo de um processo do PT na Justiça Eleitoral nesta segunda-feira (08). O partido alega que Huck cometeu e se beneficiou de abuso de poder econômico e dos meios de comunicação durante sua participação no "Domingão do Faustão", neste domingo (07).

 

A TV Globo e Fausto Silva, apresentador do "Domingão", também são alvos da representação, assinada pelos líderes do PT na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), e no Senado, Lindbergh Farias (PT-RJ). Eles pedem a inelegibilidade de Huck ou a cassação do seu eventual registro de candidatura, além de pagamento de multa por parte do apresentadores e da Globo.

 

O candidato do PT é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem liderado as pesquisas de intenção de voto e já disse, ao comentar uma eventual candidatura de Huck, querer "disputar com alguém com o logotipo do Globo na testa". 

 

No dia 24 deste mês, o petista passará por um julgamento decisivo no chamado processo do tríplex, da Operação Lava Jato. Se sua condenação for confirmada em segunda instância, ele pode ficar inelegível ou até mesmo ser preso.

 

Em julho, Lula foi condenado pelo juiz Sergio Moro, da Justiça Federal do Paraná, a nove anos e meio de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Os advogados afirmam que não há prova dos crimes e que evidências da inocência do ex-presidente foram ignoradas.

 

Exaltação "subliminar" de Huck

 

Para os petistas, o que se viu durante a entrevista do apresentador "foi a demonização da atual política, dos políticos, dos pré-candidatos ao cargo presidencial, e de forma subliminar, a exaltação da pré-candidatura de Luciano Huck, como sendo algo de novo capaz de mudar a realidade vigente e trazer a 'felicidade' esperada pelo sofrido povo brasileiro."

 

A representação diz ainda que Faustão e Huck "discorreram acerca da necessidade dos brasileiros darem espaço para uma candidatura nova (a dele, Luciano Huck)", e que o apresentador usou "uma estrutura midiática que nenhum outro pré-candidato terá acesso, causando interferência antecipada na lisura e na igualdade da disputa presidencial que se avizinha."

 

Segundo definição disponível no site do TSE, o abuso do poder econômico em eleições é "a utilização excessiva, antes ou durante a campanha eleitoral, de recursos financeiros ou patrimoniais buscando beneficiar candidato, partido ou coligação, afetando, assim, a normalidade e a legitimidade das eleições."

 

"Por uso do poder econômico entende-se o emprego de dinheiro mediante as mais diversas técnicas, que vão desde a ajuda financeira, pura e simples, a partidos e candidatos, até a manipulação da opinião pública, da vontade dos eleitores, por meio da propaganda política subliminar, com a aparência de propaganda meramente comercial", diz o site do tribunal.

 

UOL procurou a assessoria de imprensa da Globo para saber se a emissora, Huck e Faustão comentariam o processo aberto pelo PT, mas não recebeu resposta até o horário da última atualização deste texto.

 

Nem candidato, nem "salvador da pátria"

 

Ao lado da mulher, a também apresentadora da TV Globo Angélica, Luciano Huck voltou a negar sua candidatura presidencial neste ano. Ele disse que atuará no recrutamento de novos candidatos -- o apresentador chegou a citar sua participação nos movimentos Agora! e Renova Brasil, voltados para a formação de novas lideranças políticas.

 

"Minha missão esse ano é tentar motivar as pessoas a que votem com muita consciência e que a gente traga os amigos que estão a fim para ocupar a política, senão não vai ter solução. Eu nunca, jamais, vou ser o salvador da Pátria, e o que vai acontecer na minha vida eu também não sei", disse Huck. "Neste momento, ainda acho que meu papel com esse microfone na mão e aqui na Globo, e motivando as pessoas, pode ser até mais importante do que estar lá."

 

Na entrevista, o apresentador disse que a sociedade está "envergonhada da classe política" e que é necessário aproveitar "essa fratura exposta que aconteceu no Brasil nos últimos dois anos, de derretimento da classe política para reocupar esse espaço, ressignificar as coisas e tentar de fato botar um pouco de ética."

 

Huck também deu sua visão sobre o que precisa ser feito para o país melhorar. Segundo ele, "pequenos deslizes do dia a dia, que a gente chama de 'jeitinho brasileiro', estão na raiz da corrupção endêmica que temos lá na frente". O apresentador defendeu ainda que "não dá para falar em meritocracia no Brasil quando a oportunidades são diferentes. O único jeito de igualar para todo mundo é a educação ser boa para todos".

 

Em texto publicado pela "Folha de S. Paulo" em novembro, Huck já havia dito que não seria candidato a presidente. Apesar da negativa, o apresentador teria pedido ao Ibope para que seu nome não fosse retirado das pesquisas de intenção de voto, e continuaria sendo assediado por partidos políticos, como o PPS.

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