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O segundo debate dos presidenciáveis e a chance do eleitor mudar nosso país

POR SÉRGIO PIRES

17 de Agosto de 2018 às 09:39

O segundo debate dos presidenciáveis e a chance do eleitor mudar nosso país

FOTO: (DIVULGACÃO)

A sexta-feira marca o segundo debate entre os presidenciáveis. Como Lula não participa dele (e nem de nenhum outro, porque está impedido de concorrer), os outros oito que irão ao encontro vão tentar, cada um, ocupar um espaço maior. No primeiro debate, na Band, na semana passada, o resultado foi pífio. Nenhum dos candidatos se destacou, a não ser negativamente, como o Cabo Daciolo, do nanico Patriotas, que bem poderia ter saído dos estúdios da emissora numa camisa de força. Ciro Gomes foi uma decepção, Geraldo Alkmin foi o mesmo do mesmo que é há décadas; Álvaro Dias só se destacou pelo enorme volume de botox que pôs no rosto; Guilherme Boulos saiu com o troféu Cara de Pau do Ano; Marina Silva foi trágica e cômica, ao mesmo tempo; Henrique Meireles foi um fracasso e Jair Bolsonaro foi Bolsonaro: falou pouco para não dizer mais bobagens. Todos esses oito estarão de novo em rede nacional, a partir das 21 horas, horário de Rondônia, na RedeTV! Que não se espere alguma  coisa nova, embora pelo menos algumas lições do primeiro encontro possam ter sido assimiladas. Um destaque deve ser, novamente, a proposta de Ciro Gomes de tirar milhões de brasileiros do SPC/Serasa, assunto que viralizou nas redes sociais e transformou Ciro numa piada nacional. 

 

Agora, quando estamos diante de mais um debate entre presidenciáveis e as campanhas começam em todo o país, é importante, outra vez, que lembremos a força que tem o eleitor e não o candidato. A política é fascinante, mas também é um bom meio de vida. É nela onde estão alguns dos maiores salários, além da proximidade com os cofres públicos, que, em muitos casos, são uma atração mais que especial. Político que tem boa base eleitoral, que sabe fazer as coisas de acordo com o jogo, que tem bom discurso, pode manter-se por décadas na vida pública. Certamente por isso é que a cada eleição, milhares de brasileiros tentam conseguir, pelo voto, o que muitos deles jamais conseguiriam, vamos dizer assim, na “vida civil”. Para essa eleição, são 23 mil candidatos a Presidente, Governador, Senador, Deputado Federal e Deputado Estadual. O país está enterrado em uma crise sem fim, mas temos 13 candidatos ao Planalto, no geral, um mais fraco que o outro. São 171 candidatos aos governos estaduais; 295 ao  Senado; 6.982 concorrentes à Câmara Federal; 15.605 que vão disputar cadeiras nas Assembleias Legislativas. Tem muito gente ruim nesse meio, certamente a maioria, mas há também brasileiros do bem, que querem se dedicar  para melhorar a vida das pessoas e o seu país. Cabe ao eleitor, agora, saber fazer a peneira. Só o poder do voto consciente, do voto decente, do voto não negociado, é que pode realmente mudar as coisas!

 

 

 

 

 

TRE ANALISA IMPUGNAÇÕES

 

Em Rondônia, nos próximos dias, a peneira começa no TRE.  Já existem os pedidos de impugnação de candidaturas e muito mais serão encaminhados nos próximos dias. O caso mais complexo, até agora, é o do senador Acir Gurgacz, cujo pedido de registro foi contestado pelo Ministério Público Eleitoral. Os advogados de Acir, contudo, estão atuando junto ao Supremo, onde recursos dele ainda serão analisados e, no seu grupo, todos estão otimistas, torcendo para que sejam acatados em instância superior. Outro caso é o do deputado federal Nilton Capixaba, também condenado em segunda instância e cujos recursos não foram aceitos. Ele está legalmente e tecnicamente fora da eleição, por causa da Lei da Ficha Limpa. Mais um: segundo as primeiras informações vindas dos lados da Justiça Eleitoral, Melki Donadon também estaria inelegível. Há outros casos já sendo estudados.  Até 17 de setembro, o TRE deve ter analisado todos os pedidos de registro e anunciar os inelegíveis. Será nesta data, daqui a um mês, que as coligações e partidos ainda poderão trocar seus candidatos. A partir daí, mudanças só em caso de morte. Em nível nacional, o caso mais complexo é o do ex presidente Lula, que pediu o registro da sua candidatura ao Planalto, mas com chances zero de que isso ocorra, já que ele também está incurso na Lei da Ficha Limpa. Mas, aqui é o Brasil, onde tudo pode acontecer. Esperemos para ver...

 

 

SÃO 363 NOMES PARA 24 CADEIRAS

 

A corrida à Assembleia Legislativa será muito interessante, nessa eleição. Haverá uma média superior a 15 candidatos para cada uma das 24 vagas do parlamento. Dos atuais deputados, apenas Maurão de Carvalho (que disputa o Governo) e Léo Moras (que concorre á Câmara Federal), não tentam voltar aos seus atuais mandatos. Todos os outros 22 deputados vão disputar a reeleição, esperando que seus eleitores reconheçam o trabalho que fizeram e os reelejam. Na última disputa pela Assembleia, o índice de renovação chegou nos 65 por cento. Foi um dos maiores dos últimos anos. A Assembleia vinha de escândalos e confusões e o eleitor não perdoou. Na atual legislatura, contudo, não houve nada disso. O parlamento estadual atuou em parceria com o Governo; realizou um numero recorde de audiências públicas e reuniões de comissões; teve papel importante no contexto da administração do Estado, inclusive abrindo mão de recursos a que tinha direito, para apoiar iniciativas de grande interesse da população (só para citar um exemplo, os investimentos feitos nos cursos de preparação dos policiais militares, entre várias outras medidas) e não se registrou um só escândalo. É neste contexto que a maioria dos parlamentares espera voltar. O problema é que estão registrados, além dos 22, outros 341 que querem tomar seus lugares. A briga pelo voto vai ser duríssima!

 

 

CÂMARA: MDB E ALIADOS VÃO COM QUINZE

 

Quinze nomes. A coligação MDB/PODEMOS/PV registrou sua relação de candidatos a Câmara Federal, na Justiça Eleitoral, com alguns deles bastante conhecidos e outros nem tanto. Marinha Raupp e Lúcio Mosquini são os emedebistas que buscam a reeleição. Léo Moraes, do PODEMOS, também está entre os candidatos populares, pelo eleitorado que tem, principalmente na Capital.  Cláudia Aires Moura é irmã do ex governador Confúcio Moura. Agnaldo Nepomuceno, do MDB, também não é estranho na política. Foi vereador em Porto velho e é advogado atuante. Outro político, com mandato, bastante conhecido na região central, é o vereador Joziel de Brito, de Ji-Paraná. Flávio Lemos também já foi vereador em Porto Velho.  No restante da relação, ao menos para o grande eleitorado, são nomes novos: Etelvina Carvalho é pastora em Porto Velho;  João Bosco Ribeiro é empresário na Capital; João Miranda é de Guajará Mirim; Evelin Caroline é ligada a uma igreja evangélica na zona sul de Porto Velho; Monise Melo também é da Capital; Lano Matias é de Ariquemes. Tem ainda Orlando Bifão e Ronildo Macedo, entre os caras novas. O MDB sonha em eleger ao menos três, de sua coligação, para a Câmara.

 

 

CADÊ A GRANA DO PIMENTA?

 

Os candidatos ao Governo apresentaram suas declarações de bens, ao TRE. A grande surpresa foi o candidato do PSOL, Pimenta de Rondônia, que teve divulgadas suas  posses: nada menos que 12 milhões de reais. Horas depois, a correção. Pimenta, na verdade, apresentou uma certidão de bens com apenas 120 mil reais. Os amigos do candidato, que o conhecem e sabem que ele realmente tem uma vida de classe média, não o pouparam com brincadeiras de que ele seria um milionário. Não é. Foi um erro, já corrigido. O maior patrimônio, na verdade, é de Zé Jodan, candidato a vice governador na chapa do PSL, liderada pelo coronel Marcos Rocha. Jodan tem mais de 46 milhões de bens a declarar. Dos principais candidatos,  Acir Gurgacz do PDT, tem o patrimônio mais robusto: mais de 11 milhões de reais. Maurão de Carvalho, tem pouco mais de 2 milhões e Expedito Junior, apenas 340 mil reais, a metade de Vinicius Miguel, que tem 722 mil.  Na maioria dos casos, principalmente entre os candidatos a vice governador, o patrimônio é robusto, como os casos de Neodi Carlos, com 4 milhões e 850 mil e Maurício Carvalho, com 3 milhões e 250 mil.

 

 

DANIEL E O FOGUETE PELO RABO

 

O governador Daniel Pereira peregrinou por gabinetes em Brasília, tentando ao menos amenizar a situação da dívida do Beron e buscando  renegociar outros débitos do Estado. Daniel pegou uma espécie de foguete pelo rabo. Quando assumiu, o que se imaginava era de que as finanças estavam fortalecidas e que ele teria apenas que administrar com mão pesada, evitando gastanças e apenas navegando em mar com poucos perigos e quase nenhuma turbulência. A realidade se mostrou muito diferente. Primeiro, porque as finanças estaduais sofreram um tremendo baque com a greve dos caminhoneiros, que afetou seriamente a arrecadação. Depois, porque  nem tudo eram só flores na questão dos cofres estaduais. Pouco dinheiro sim e não tanto quanto se anunciava quando Confúcio ainda governava. Quando o Governador de poucos meses conseguiu respirar um pouco, veio a bomba da dívida do Beron, que não era paga há quatro anos e que agora explodiu no colo dele. Tudo isso baixou numa vez só. Não é fácil para quem assumiu o poder para ficar nele apenas alguns meses. E ainda tem outra questão, que deve lhe tirar o sono: pesquisas que chegam todos os dias a ele, apontam que Daniel teria chances reais de se reeleger, caso se candidatasse. Ele abriu mão, para apoiar Acir Gurgacz...

 

 

MAIS 20 ANOS DE DÍVIDAS

 

Por falar na dívida do Beron, nesta quarta, em Brasília, o governador Daniel Pereira conseguiu confirmar a renegociação com a União, através de acordo feito durante reunião com a direção do Banco do Brasil. Pela decisão, Rondônia pagará, por essa e outras dividas antigas, algo em torno de 11 milhões de reais/mês, de amortização, pelos próximos 20 anos. Ou seja, uma dívida que começou em menos de 50 milhões, que saltou para meio bilhão durante a administração de técnicos do Banco Central, no final dos anos 90 e da qual já pagamos mais de 2 bilhões, ainda custará aos cofres do Estado, nada menos do que 264 milhões de reais. Nesse meio tempo, o Governo rondoniense está tentando a redução de metade da dívida, exigindo que seja reconhecido laudo de especialistas do próprio governo, que detectaram que ao menos 50 por cento deste débito do Beron, é de responsabilidade do Banco Central. A batalha ainda vai longe. Mas, ao menos por enquanto, a renegociação impede que o Estado quebre e não tenha pelo menos 300 milhões de verbas federais sequestradas, para pagamento da conta. Os salários dos servidores, ao menos por enquanto, estão garantidos. 

 

 

PERGUNTINHA

 

O que você achou da declaração de bens do candidato a Presidente da República, João Amoêdo, do Partido Novo, que é dono de um patrimônio de nada menos do que 425 milhões de reais?

 

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Sérgio Pires

Colaborador do Gentedeopinião: Sérgio Pires, experiente jornalista e que atua na SIC TV e diariamente apresenta o "PAPO DE REDAÇÃO" na rádio Parecis FM.

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