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A fumaça branca do voto avisa: tudo indica que já temos novo presidente e novo governador

POR SÉRGIO PIRES

22 de Outubro de 2018 às 09:29

Ou o Ibope não só cometeu o maior erro da sua história, mas, mais que isso, um enorme e retumbante fiasco ou o Coronel Marcos Bolsonaro Rocha pode começar a mandar confeccionar o terno da posse como Governador de Rondônia, numa solenidade oficial programada para uma terça-feira, dia 1º de janeiro próximo, daqui a exatos 73 dias. O resultado da pesquisa do instituto, em meio ao debate de mais de duas horas, entre os dois  finalistas, ocorrido sexta à noite, no auditório lotado da SICTV/Record, mereceu comemoração dos partidários do Coronel e jogou um balde de água fria sobre Expedito Júnior, toda a sua equipe e seus seguidores.  Momentos antes da divulgação dos números, havia informações percorrendo os bastidores de que a pesquisa poderia até dar Expedito na frente. Foi apenas um sonho de uma noite de verão, como diria Sheakspeare.

 

Entre o terceiro e o quarto blocos do confronto, ao ser questionado pelo adversário porque olhava tanto o celular, Marcos Rocha tripudiou, anunciando publicamente o resultado do Ibope, que lhe dava 63 pontos percentuais contra 37 do seu adversário, nos votos válidos, ou seja, 26 pontos a seu favor. Expedito ficou notadamente abatido. O debate, aliás, foi pouco mais que morno até o último bloco, quando o Coronel passou a atacar seu adversário, numa tática surpreendente, porque se esperava que, depois de saber que está com uma mão na faixa, como diria seu ídolo, o presidenciável Jair Bolsonaro, Rocha iria baixar a bola. Pelo contrário. Começou a bater forte, chegando ao ponto de Expedito ganhar um direito de resposta, antes da sua despedida. Como no Vaticano, quando a fumaça branca anuncia o novo Papa, numa analogia local, foi a fumaça dos números do Ibope que avisarou que, a menos que seja um erro tão grave e grotesco que faça o instituto fechar suas portas e nunca mais trabalhar em Rondônia, já temos um novo Governador.

 

Expedito Júnior é um político experiente, tem uma enorme folha de serviços prestados ao Estado e, certamente, perdeu muito mais para o fenômeno Bolsonaro, que conquistou o país, derrubando todos os que não foram lançados por ele, do que para seu adversário. Marcos Rocha é o novo e, mais que isso, é o nome der Bolsonaro por aqui. Quase desconhecido em várias localidades rondonienses, durante a campanha foi seu cartão de visitas (“Eu sou o Bolsonaro de Rondônia”), que lhe abriu todas as portas e lhe deu a uma votação inacreditável no primeiro turno, levando-o à decisão pelo Governo, quando o próprio Expedito e todos os que acompanham a política rondoniense há anos, incluindo esse colunista, apostavam tudo de que o segundo turno seria entre o tucano e Maurão de Carvalho. Parece mesmo que há pouca  dúvida. A fumaça branca anuncia que “Habemus Presidente” (Jair Bolsonaro) e “Habemus Governador” (Marcos Rocha). Em Rondônia, para Expedito, agora, só um milagre. Mas dizem que milagres não existem na política! Ou existem? 

 

 

 

SÓ FALTA UMA SEMANA

 

O segundo turno da eleição está marcada para o próximo domingo. Em nível nacional, a vitória esmagadora de Jair Bolsonaro já está definida. Em Rondônia, ao que tudo indica, também o jogo está ganho, com Marcos Rocha vencendo com boa margem. O que se ouve nas ruas é que o Coronel saiu bem á frente de Expedito Júnior, após o primeiro turno e se a eleição fosse logo depois do 7 de outubro, ele poderia ter ganho a disputa com facilidade, até pelo rescaldo do efeito Bolsonaro. Mas com o andamento da disputa para o turno final, as forças, aparentemente, estariam se equilibrando. No grupo tucano chegou a haver momentos de euforia, com pesquisas internas que davam ao candidato um  crescimento positivo, em razão do discurso dele e do volume de campanha. Hoje, contudo, o quadro voltou a ser extremamente negativo para Expedito, mesmo com seu bom discurso e todo o valor que tem como homem público. Há ainda mais um debate entre os dois, nesta próxima quinta-feira, dia 25, na TV Rondônia/Globo e outro na sexta, dia 26, no SBT. O primeiro, na Band, teve pouca repercussão, até porque não foi anunciado em toda a mídia. O segundo na Record só esquentou no final. Ao que tudo indica, a menos que aconteça uma enorme reviravolta na última hora, tudo está decidido. Agora, é torcer para que Marcos Rocha seja tudo aquilo que a população espera dele.

 

 

FERRARI PERDEU OS SETE MIL VOTOS

 

Problemas de ilegalidades “insanáveis”. Foi por isso que o TSE confirmou a impugnação, feita pelo TRE,  do nome do Dr. Ferrari, candidato a deputado estadual e anulou seus sete mil votos. Com isso, o primeiro suplente, Ribamar Araújo, não assumirá, ao menos por enquanto, a vaga da representante de Vilhena, Rosângela Donadon. Ribamar ficou fora por apenas 70 votos e, caso os do dr. Ferrari fossem validados, ele estaria eleito, tirando Rosângela da Assembleia. Há ainda outras pendências legais, que podem representar futuras mudanças na composição do parlamento rondoniense, como a que já aconteceu, tirando a vaga de Jean Mendonça, de Pimenta Bueno e a entregando ao empresário Geraldo da Rondônia, de Ariquemes. O Ministério Público Eleitoral está investigando todos os casos. Os mais sérios envolveriam ilegalidades com os 30 por cento de mulheres que deveriam fazer parte das coligações e que, segundo várias denúncias, algumas delas ou até muitas delas, sequer saíram de casa para fazer campanha, embora tenham recebido o Fundo Partidário. Há comentários que, se isso for verdade, pode mudar muito a atual formação da Assembleia, ainda antes da posse, em fevereiro próximo ou no ano seguinte. Vamos aguardar...

 

 

NÃO SE PODE SER INJUSTO

 

Claro que há críticas justas, mas também muita injustiça, principalmente ao não se destacar algumas mudanças muito importantes que vêm acontecendo em Porto Velho, desde que mudou o comando da Prefeitura. O governo Mauro Nazif foi  pífio em obras, começou a trabalhar mesmo quase um ano depois da posse e não deixou uma só grande realização que marcasse sua passagem pelo comando do município. Nos últimos dois anos, temos sim avanços importantes. A conclusão dos viadutos, em parceria com o Dnit é apenas um deles. Depois, o início da iluminação destes mesmos viadutos e as obras dos grafiteiros, que deram um tom diferente à cidade, merecem registro. Dezenas de quilômetros de ruas já foram asfaltadas e outros tantos estão em andamento. Estão sendo feitas obras estruturais de combate às cheias, em algumas regiões, cujos resultados positivos serão conhecidos em breve. Nessa semana, a Emdur começou a iluminar novamente um longo trecho da BR 364, na entrada da cidade, usando agora com cabeamento de alumínio e não de cobre, para evitar roubos. A primeira parte do trabalho foi acompanhada pelo prefeito Hildon Chaves, que anunciou que até o meio desta semana que começa, vai inaugurar toda a nova iluminação do viaduto da Três e Meio até a Faculdade Faro. Há que se reconhecer que tem coisa boa acontecendo na Capital, sob pena de se estar cometendo grande injustiça.

 

 

JÁ A SAÚDE E A EDUCAÇÃO....

 

Mas, é claro, há ainda graves problemas. A burocracia infernal que faz parte do serviço público, num emaranhado de leis que parecem feitas apenas para infernizar a vida dos gestores e da população (já que não evitam a corrupção, como todos vimos em nível nacional), está trazendo graves prejuízos para a educação, por exemplo, principalmente em relação à questão do transporte escolar para os distritos e para os estudantes que dependem do transporte fluvial. Parece que todas as medidas tentadas pela Prefeitura, não estão funcionando. Isso tem que ser  corrigido, urgente. Também na área da saúde pública, parece sem luz  no final do túnel a estrutura dos postos de saúde e das policlínicas, que atendem o público de forma muito distante do ideal, para não dizer coisa bem pior. São dois calcanhares de Aquiles, se assim se pode dizer, exagerando na história do herói grego, filho de Tétis, a deusa grega do mar e de Peleu, rei dos Mirmidões. Aquiles teve seu principal momento no cerco à cidade de Troia, quando foi morto com uma flechada no calcanhar, seu único ponto vulnerável. Nessas duas áreas, o prefeito está levando grande desvantagem. Tem que encontrar soluções. E já!

 

 

O PCC POR TRÁS DO ATENTADO?

 

Não é por acaso que a Polícia Federal encaminha a investigação sobre a tentativa de assassinato de Jair Bolsonaro a ordens vindos de dentro dos presídios, principalmente através de lideranças do PCC, uma das maiores organizações criminosas do país. Quando o bandido que esfaqueou o candidato a Presidente foi defendido por advogados famosos, alguns dos mais caros causídicos do país, começaram a ser ligadas as pontas da trama. A suspeita, que um delegado da PF anunciou na mídia, no final de semana, ficou evidenciada quando se descobriu que o trio de representantes legais do marginal, que aparentemente  finge ser louco, também defende alguns dos principais criminosos entre as lideranças do PCC. Os defensores do marginal viajaram de avião fretado para defendê-lo, logo depois do atentado e ainda anunciaram que nada cobrariam. Claro que ainda é muito cedo para se fazer qualquer acusação concreta, porque as investigações estão ainda longe de terminar, mas as primeiras declarações do delegado  Rodrigo Morais,  da PF  sobre o assunto, indicam que há sim algo de podre no reino da Dinamarca. Nos próximos dias, o país ficará sabendo de mais detalhes do caso.

 

 

PERIGO PARA A BANDIDAGEM

 

Bolsonaro pode se tornar, mesmo, o maior perigo para as organizações criminosas que dominam os presídios e, lá de dentro, mandam e desmandam aqui fora, decidindo sobre a vida e a morte e coordenando uma série de crimes, inclusive o tráfico de drogas. Na semana passada, foi desbaratado um plano arquitetado dentro do Presídio Federal de Porto Velho, quando grandes nomes do crime, ali presos, planejavam sequestros de autoridades, tortura a agentes da lei e explosões de carros bomba em várias cidades. Poucos dias depois, uma apreensão de quase meia tonelada de maconha, entre Vilhena e Jaru, detectou que o chefão da quadrilha de traficantes, organizava todo o trânsito da droga de dentro de um presídio local. Os bandidões não aceitam mais qualquer autoridade sobre eles. Prometem colocar fogo nas cadeias, caso sejam implantados sistemas que impeçam o uso de celulares dentro dos presídios. Querem que tudo continue como está, com os direitos humanos só deles sendo respeitados. Suas vítimas que se danem! Claro que nesse contexto da podridão do sistema prisional, dominado pelos criminosos, eles não querem nem ouvir falar de Bolsonaro. Parece, contudo, que terão que aguentá-lo...

 

 

PERGUNTINHA

 

Para você, que tem acompanhado o desempenho dos dois candidatos ao Palácio Rio Madeira/CPA, a pesquisa do Ibope que dá 26 pontos de vantagem de Marcos Rocha sobre Expedito Júnior está certa ou você considera a diferença exagerada? 

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Sérgio Pires

Colaborador do Gentedeopinião: Sérgio Pires, experiente jornalista e que atua na SIC TV e diariamente apresenta o "PAPO DE REDAÇÃO" na rádio Parecis FM.

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