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Política em Três Tempos - Filósofos, pré-candidatos do PSOL a prefeito da Capital são ex-reitor e professor da Unir - Por Paulo Queiroz

Política em Três Tempos - Filósofos, pré-candidatos do PSOL a prefeito da Capital são ex-reitor e professor da Unir - Por Paulo Queiroz

DA REDAÇÃO

20 de Fevereiro de 2008 às 10:04

Política em Três Tempos - Filósofos, pré-candidatos do PSOL a prefeito da Capital são ex-reitor e professor da Unir - Por Paulo Queiroz

FOTO: (Divulgação)

1 – PREFEITO-FILÓSOFO? A República ideal de Platão era governada por reis-filósofos, que ele chamava de guardiões, escolhidos em razão de seus talentos para a filosofia. Segundo Platão, só os filósofos, eternos amantes da verdade, teriam condições de libertar-se das trevas para atingir o mundo luminoso da realidade e da sabedoria. Governar - diz Platão pela boca de Sócrates em “A República” - é estar a serviço dos governados, praticando sempre a justiça social. Como a justiça é superior, é preferível sofrer a injustiça do que praticá-la, porque onde se pratica a injustiça, aí está a discórdia e a iniqüidade – e onde houver justiça social, aí está a felicidade. O resultado era um socialismo austero e hierárquico, governado por uma casta de filósofos. Para Platão, esse Estado ideal era mais real e perfeito do que qualquer cidade grega jamais seria. Porto Velho, claro, não é uma cidade-estado e muito menos o seu sistema de governo guarda muitas semelhanças com os das sociedades gregas da antiguidade – salvo resíduos do modelo de tomadas de decisões na Agora ateniense, que por imperativo do capitalismo terminou transformado nessa simulação degenerada que o Brasil e o resto do mundo dito liberal conhecem por democracia. Mas se os porto-velhenses quiserem levar a cabo a recomendação de Platão, certamente terão neste ano um filósofo em quem votar para prefeito da Capital, pois sairá das entranhas da Filosofia o candidato que vai disputar a eleição para a Prefeitura de Porto Velho pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) em outubro. É o que se pode adiantar, com certeza, desde a última reunião do Diretório Regional da legenda, no sábado (16), ocasião em que à pré-candidatura do professor universitário Adilson Siqueira de Andrade para disputar a sucessão no Palácio Tancredo Neves pelo partido foi acrescentada a indicação do diretor acadêmico da Faculdade São Lucas, professor José Dettoni, para ocupar a candidatura da sigla ao cargo em questão. O primeiro é mestre em antropologia e professor de Filosofia da Universidade Federal de Rondônia (Unir). O outro é ex-reitor da instituição (o primeiro escolhido em eleição direta) e mestre em Filosofia, não bastasse doutor em Educação. 2 – SOLDADO DO PSOL Curioso é que, em função do peculiar processo de definições de candidaturas do PSOL e de uma intervenção do diretor da São Lucas chamando os psolistas à responsabilidade, Dettoni (como é conhecido) terminou saindo da reunião indicado também como pré-candidato a vice-prefeito e a vereador. Ou seja, dificilmente – mas muito remotamente, mesmo - o dirigente acadêmico ficará fora da disputa eleitoral de outubro porquanto, salvo uma improvável sucessão de três decisões em contrário da convenção partidária de junho, nem o próprio Dettoni pode mais desautorizar o partido quanto ao propósito de fazê-lo candidato. Eis que, em meio à reunião, certamente impaciente com a metodologia da mesa diretora no levantamento das pré-candidaturas – indagando de cada pessoa indicada se aceitava ou não a indicação à pré-candidatura cogitada -, Dettoni pediu a palavra para discorrer sobre a definição de filiação partidária, explicando que, a inscrição do cidadão numa agremiação política pressupõe, antes de qualquer consigna, a participação. Significa, conforme discursou, que ao cidadão verdadeiramente filiado a uma legenda política, comprometido com os objetivos do partido, não compete escolher o que vai ou não vai fazer em termos de tarefas pendentes. Como soldado do partido, fará o que a agremiação indicar que deve fazer, quando e sempre que os companheiros decidirem - com o vocábulo “companheiros” aí entendido no sentido etimológico, ou seja, os que compartilham do mesmo pão, nem que seja aquele que o diabo amassou. Subiu na tribuna soldado raso e desceu de lá com as três indicações de que se falou, de resto, aprovadas pela unanimidade da plenária. Ou seja, de uma candidatura para disputar as eleições de outubro o professor José Dettoni, mesmo na hipótese de que um projeto dessa natureza não estivesse entre os seus projetos pessoais no horizonte próximo, não poderá mais se esquivar. Resta ao PSOL rondoniense decidir, em junho, se ele concorrerá para prefeito, vice-prefeito ou vereador. 3 – ALIANÇA COM O PSTU Conquanto seja difícil avaliar se por conta do fator Dettoni, o certo é que os dirigentes do PSOL local saíram da reunião de sábado passado com bons motivos para comemorar, porquanto abriram os trabalhos apenas com a indicação de Adilson Siqueira para prefeito e as de meia-dúzia de nomes para vereador – referendadas num encontro anterior – e fecharam a ata contabilizando duas indicações para prefeito, três indicações para vice-prefeito e mais de 30 indicações para vereador – para as 24 candidaturas desse tipo que poderá registrar sozinho. O que, para a alegria dos fundadores, assegura disputas em todos os níveis na convenção de junho, significando uma grande oportunidade para o aprofundamento dos debates internos e a conseqüente consolidação da legenda na Capital e em Rondônia. Além de Dettoni, foi indicado para a candidatura de vice-prefeito o professor Francisco Marto de Azevedo, um dos fundadores do partido no Estado e membro da Executiva Regional. Há 25 anos em Porto Velho, graduado em Educação Física pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), seu Estado, Marto chegou recrutado pelo Serviço Social do Comércio (Sesc) para implantar aqui o setor de lazer. De lá para cá, tem tido atuação intensa nas áreas de educação e saúde – foi diretor do “Colégio Padrão” por cinco anos e coordenador do Programa de Combate à Dengue de 1998 a 2000 -, entre uma pá de cargos e funções que a exigüidade do espaço não permite listar. Filiado recente, o jornalista Marcelo Regis – ex-jornal “Folha de Rondônia” e titular do programa de TV “In Foco” - ficou com a terceira pré-candidatura do PSOL para vice-prefeito. Em que importem as três pré-candidaturas em questão, na hipótese de que as negociações entre o PSOL e o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) cheguem a bom termo, a candidatura de vice-prefeito da chapa resultante poderá ser ocupada por esta legenda. E caso a eventual coligação alcance a disputa proporcional, as duas agremiações poderão repartir 32 candidaturas para a Câmara Municipal de Porto Velho.

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