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O ostracismo do maior revoltado online, por Guilherme Pavarin

De caçador de pedófilo na internet a extremista digital.

DA REDAÇÃO

26 de Dezembro de 2017 às 16:09

O ostracismo do maior revoltado online, por Guilherme Pavarin

FOTO: (Divulgação)

 O empresário paulista Marcello Reis cultiva o peculiar hábito de dar um Google em si mesmo. Ele costuma ir atrás de imagens e notícias que remontam a uma época recente – quando alcançou notoriedade e fez barulho nas redes sociais como porta-voz de uma causa que – segundo ele – justificaria sua existência: o impeachment de Dilma Rousseff e a varredura do Partido dos Trabalhadores da vida política nacional.

Durante meses, Reis – invariavelmente usando boné e óculos escuros –, apareceu em vídeos berrando, xingando, pregando o caos e a destituição do governo petista. Também escreveu impropérios, palavrões, ameaças e platitudes sobre o assunto. Em um dado momento, sua página amealhou 2 milhões de seguidores no Facebook, o que o transformou numa das mais populares celebridades da categoria “raivosa” dos tempos de impeachment.

Foi quando o seu Revoltados On Line ganhou espaço nas redes sociais, passou a pedir doações de dinheiro (que eram dadas generosamente) e, desde então, despertou em seu fundador uma nova vocação: a de deputado federal. Ele ainda está em busca de um partido.

Em uma tarde recente, encontramo-nos num bar perto de sua casa no bairro da Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo. Ao vivo, ele nada parecia o mercurial hater que eu via pelo computador. Aos 39 anos, tinha uma compleição acanhada e a voz calma de quem acabou de sair de uma sessão de meditação. Calvo, com cicatrizes na orelha e com a barba completa, ele estava sem o boné e os óculos – o que lhe dava ares de cidadão pacato.

A trajetória de sucesso do Revoltados On Line tem início nas manifestações de junho de 2013, quando milhões de pessoas saíram às ruas para protestar contra o governo num ato que havia começado como uma chiadeira contra o reajuste das tarifas de transporte público. “Eu jamais vou me esquecer”, disse, nostálgico. Naquela noite, contou, seus dedos tremiam e seu rosto, com rugas profundas na testa, era o de quem estava possuído pela raiva.

No Centro da cidade, de câmera na mão, ele avançava contra os manifestantes que empunhavam bandeiras de partidos políticos. A sequência de eventos – ele não poderia saber – se transformaria nas manifestações que levaram pessoas ao teto do Congresso Nacional e às ruas de quase todas as cidades do país. “Isso não é protesto de direita ou de esquerda!”, gritava Reis, pedindo para que as pessoas recolhessem as flâmulas.

Ignorado pela multidão, ele guardou a câmera e partiu para a ação. Valendo-se de seu porte de lutador, arrancou à força as bandeiras das mãos dos manifestantes. Repetia cada vez mais alto variações de seu mantra pessoal: “Sem par-ti-do! Sem par-ti-do!” Ao lado, dezenas de pessoas o acompanhavam com palmas. Depois da confusão, seu grupo deixou o local. Mas algo havia mudado para sempre.

Ao chegar em casa, Reis viu seu rosto na tevê em rede nacional. No dia seguinte, ganhou as manchetes dos principais jornais do país. A divulgação espontânea e inesperada daria a Reis o empurrão que precisava: ele tentava, de todo modo, inflar o número de seguidores de seu grupo de militância, uma até então obscura organização fundada em 2006 ainda na época do Orkut e que tinha como propósito inicial caçar suspeitos de pedofilia.

Com as ruas tomadas naquele junho, Reis vislumbrou sua melhor chance para alçar o Revoltados On Line à fama – ele converteu o grupo em uma militância política de extrema direita, a favor do intervencionismo militar e, sobretudo, anti-PT. Em poucos meses, Reis reuniria a maior brigada virtual do Brasil pelo impeachment de Dilma Rousseff – milhões de pessoas que se encontravam em sua página no Facebook a espera de instruções para acender as tochas digitais e inundar a internet de mensagens com fortes tons de ódio, taxando Lula como “sapo barbudo” e Dilma como “quadrilheira”.

Marcello Reis era um desconhecido antes de acossar manifestantes embandeirados em 2013. O Revoltados On Line havia surgido de um trauma pessoal: uma das filhas de Reis fora molestada quando tinha três anos de idade, ele me confidenciou durante a conversa. Para poupar os familiares, sempre manteve os detalhes do caso em segredo. O método de atuação do bando não era dos mais sofisticados. Alternados, os membros faziam rondas pelas comunidades infantis que se propagavam pelo Orkut e, caso flagrassem algo suspeito, denunciavam o caso à Polícia Federal.

O formato não durou muito tempo. Softwares avançados passaram a fazer varreduras mais eficazes em busca de abusadores pela internet, e o grupo mudou de atuação. Tornou-se, em 2010, um fórum de inconformados em geral. Na mesma época, migraram para o Facebook. Por lá, discutiam assuntos que iam de meio ambiente à educação. Lutavam, diziam, pelos valores familiares e contra a corrupção. Muitos, inclusive Reis, apoiavam o intervencionismo militar de forma imperativa. Em junho de 2013, o recém-empoderado Revoltados On Line saiu às ruas para reivindicar suas ideias. Encomendaram, para as andanças, uma faixa chamativa, de cinco metros, com letras pretas e vermelhas com os dizeres: “Lula, o câncer do Brasil – investiguem o chefe da quadrilha.” Era o marco fundador da militância que, pela internet e com engajamento também nas ruas, ajudaria a derrubar Dilma Rousseff.

Reis comandava o Revoltados On Line de seu apartamento. Sentado em frente ao computador no quarto espaçoso onde há um quadro de Sérgio Moro, bandeiras do Brasil, o símbolo do Corinthians e uma miniatura de Lula com uniforme de presidiário, o empresário passava até dezoito horas por dia conectado para moderar conteúdos, criar vídeos e vender produtos como camisetas e canecas com mensagens a favor do impeachment. O crescimento de sua página no Facebook, que ultrapassou 1 milhão de curtidas ainda em 2015, foi 100% orgânico, isto é, sem posts patrocinados. A cada mídia inflamada contra o PT, o número de seguidores disparava. “Nunca botei um centavo”, contou Reis, com orgulho, enquanto mexia em dois celulares com fita adesiva tapando a câmera – que denotava o seu temor, não declarado, de ser espionado. Por quem, não se sabe. O dinheiro que recebia, vindo de doações, era usado para bancar gastos pessoais, reuniões do grupo e eventos que organizava contra o governo petista, que tinha como seu maior inimigo.

Neto de militares, Reis cresceu numa casa modesta e conservadora no bairro da Parada Inglesa, em São Paulo. Pouco depois de seu nascimento, com a mãe doente e paralítica, teve de ser criado pela prima, casada com um rígido metalúrgico espanhol. O europeu, simpatizante do militarismo, teve grande influência no pensamento do futuro criador do Revoltados On Line. Anti-grevista, o espanhol reclamava com frequência das paralisações trabalhistas feitas pelo então líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva. Chamava-o de “sapo barbudo”, “vagabundo” e outros adjetivos que Reis adotou desde a infância.

Enquanto crescia sob tutela do padrasto, abandonou a escola pouco depois de completar o primário. Protestante luterano, diz ter lido por conta própria escritos hebraicos para compreender o Torá. Depois, ainda jovem, afirmou, passou a trabalhar com segurança de informação. “Sempre fui fã de tecnologia e um belo empresário”, jactou-se, para logo depois fugir das questões específicas sobre o trabalho que pagava suas contas antes da fama.

Foi nesse ramo da computação que recrutou os primeiros membros do Revoltados On Line. Depois, passou a convidar pessoas ligadas às áreas jurídicas, militar e de segurança. Na busca por diretrizes ideológicas, ele se encontrou com os juristas Hélio Bicudo (um dos autores do pedido de impeachment contra Dilma) e Ives Gandra Martins. Ambos viraram gurus informais do Revoltados.

A influência de Reis nos protestos pelo impeachment se concretizou nas ruas em 2015. Após uma convocação pelas redes, na tarde do dia 15 de março, um domingo, o líder do Revoltados On Line subiu em um caminhão alugado com o dinheiro do grupo e, de terno cinza e microfone em mãos, mobilizou uma multidão de camisetas amarelas no meio da Avenida Paulista, a alguns metros de onde caçava bandeiras dois anos antes. “Vamos acabar com essa roubalheira! Fora, Dilma! Fora, PT!”, gritava, para delírio da massa, entre caixas de som que tocavam canções de rock e o hino do Brasil. Segundo a contagem da PM, mais de 1 milhão de pessoas compareceram à marcha. O maior trunfo de Reis, porém, foi sentir que havia influenciado outros grupos com os quais rivalizava no pastoreio digital de fãs. Nesse manifesto, o Movimento Brasil Livre e o Vem pra Rua, ambos anti-corrupção mas ainda reticentes quanto ao impeachment de Dilma, aderiram à luta convocada por ele.

O coro anti-Dilma se espalhou pelas ruas: as eleições fraudulentas, as contas públicas e o péssimo governo seriam os motivos que levariam milhões de pessoas a pedir a cabeça da presidente. Em 2015, em meio à Lava Jato, os argumentos administrativos ganharam maior apelo. Reis, claro, aproveitou a onda.

“O Revoltados On Line foi pioneiro e fundamental para o impeachment”, disse a procuradora aposentada Beatriz Kicis, ex-membro do grupo. Com cabelos ruivos lisos, de óculos, e muito bem articulada, Kicis entrou para a agremiação em fevereiro de 2015. Ela conhecera Marcello Reis cinco meses antes, durante atos contra o governo petista que ela realizava com juristas ativistas em Brasília. Reis procurava alguém com ideologia similar a dele e conhecimento técnico que se dispusesse a montar um pedido de impeachment. As conversas entre os dois frutificaram. Kicis viu em Reis uma liderança combativa e escreveu os termos do projeto.

Embora não tenha sido acatado pela Câmara, o documento foi bastante explorado pelo grupo nas redes sociais, o que causava acessos de fúria de Reis quando suas ideias não eram creditadas como de autoria do Revoltados On Line. “O Marcello sempre foi respeitoso comigo, mas é brigão. Ele ia para briga virtualmente, presencialmente, tudo em nome da causa”, contou Kicis. “Ele te trata bem, mas só se você não for petralha.”

Com o povo nas ruas, influência nos grupos de pressão pró-impeachment e um número exorbitante de fãs, Reis vivia seu auge. Interessados no prestígio de sua figura, políticos passaram a sondá-lo para reuniões e cargos administrativos. Segundo o próprio, todos os partidos o procuraram inclusive o PT, mas ele fez questão de estreitar relações apenas com dois homens públicos: Jair Bolsonaro e Eduardo Cunha.

A relação com Cunha foi mais próxima. Com o caldeirão do impeachment pronto a ferver, Reis montou um acampamento em frente ao Congresso Nacional em outubro de 2015. Na ocasião, pressionado por colegas da Câmara para remover a tenda – uma peça inflável e circense com detalhes vermelhos – Cunha o procurou e, no longo bate-papo, simpatizou com o ativista. “Se a gente sair, fica mais fácil pra te derrubarem”, falou o líder do Revoltados On Line ao então presidente da Câmara. Cunha teria concordado e feito vista grossa até onde pode. O acampamento durou um mês. Para Reis, sua pressão foi fundamental para a aprovação do impeachment, meses depois, quando deputados e senadores mimetizaram em tribuna o discurso de grupos como o dele sobre os valores de Deus, da moral e da família.

 

A temporada de camping em Brasília foi, no entanto, a primeira fumaça de um incêndio que se abateria sobre Marcello Reis. Nos gramados em frente ao Congresso, ele entendeu que não havia unidade entre os movimentos que buscavam o impeachment. Durante o mês em que esteve acampado, Reis dividiu espaço com barracas do MBL e de grupos de intervencionistas militares. O mal-estar começou quando, depois de combinarem a data de chegada ao local, o MBL queimou a largada e chegou dias antes para marcar posição como puxador de fila.

Depois do episódio, Reis passou a desprezar o grupo, e a ser desprezado por ele. “A convivência de Marcello com os outros grupos sempre foi complicada”, diz o advogado Mauro Scheer, ex-membro do Revoltados On Line. “Havia muito ego em jogo. Um marcava um evento para um dia, deixava o outro de fora. Outros torciam contra. Todo mundo desconfiando de todo mundo.”

Reis se afastou. Ilhado, sem alianças confiáveis, estava decidido a formar um partido próprio e concorrer nas próximas eleições. Na ânsia de crescer ainda mais e esmagar a influência crescente de outros líderes – sobretudo do MBL –, ele começou a pressionar seus fãs para que trabalhassem mais e mais na militância. Foi quando o Revoltados On Line começou a derreter.

Muitos voluntários não conseguiam tempo suficiente para realizar as tarefas pedidas pelo líder. Outros, como Scheer, homem calmo, de fala mansa e sempre de terno e gravata, acabaram se cansando da postura radical do fundador do movimento. As muitas investidas do líder em conflitos no corpo a corpo em atos como a invasão do Congresso em 2014 afastaram membros mais ponderados. “O radicalismo acabou depreciando a própria causa”, avaliou Scheer. “O movimento de rua conquistou algumas coisas importantes, mas precisa da espontaneidade. Isso se perdeu.” Assim como a colega Kicis, Scheer saiu do Revoltados On Line. Eram membros do alto escalão. Reis perdia seus tenentes.

A manhã do dia 28 de agosto de 2016 seria o fim do ciclo de uma longa luta. Mesmo com as desavenças geradas em meses de ativismo digital, ele permanecia em estado de excitação e com poucas horas de sono desde o dia 25, quando as testemunhas de Dilma Rousseff começaram a ser ouvidas no Senado em um processo que terminaria no dia 31, com a votação final. Tudo se encaminhava para o afastamento da presidente, momento mais desejado da vida do líder do Revoltados On Line.

Naquele domingo, ainda na cama, Reis acordou depois de um breve descanso. Seu celular estava abarrotado com dezenas de mensagens. “Cara, o que aconteceu com a página?”, perguntava um colega próximo. Zonzo e ainda de pijama, o fundador do grupo acessou o Facebook e não encontrou o endereço. Tentou outra vez. Nada. Na terceira investida, notou no canto superior da tela um recado.

Sem explicação, aviso prévio ou sinal de fumaça, disse Reis, o Facebook simplesmente apagou da rede sua página de 2 milhões de seguidores e mais de 100 000 postagens. O exército digital virou uma armada Brancaleone sem voz. O argumento lacônico era que a página havia desrespeitado as regras da rede social. Incrédulo, Reis caiu no choro. Ligou a câmera e, aos prantos, reclamou de censura em um vídeo postado horas depois em seu perfil pessoal e no YouTube. “Isso é uma puta sacanagem, a gente não tá vivendo numa ditadura…”, reclamava, de olhos marejados e rosto vermelho.

O vídeo viralizou entre blogs de esquerda, que malharam Reis e o transformaram no bebê chorão da extrema direita. Ele correu atrás de um advogado e começou o processo para tentar entender o que tinha feito de errado e como poderia ter a página (e os fãs) de volta. A tréplica do Facebook foi direta: “Nossas regras proíbem conteúdos como discurso de ódio e homofobia.” Quando o impeachment foi aprovado, Reis estava de fora da festa. “Imagina você montar uma empresa e, depois de dez anos, quando chegar pra trabalhar, ver que ela não existe mais? Foi exatamente isso que aconteceu”, disse.

Assim, do mesmo jeito que surgiu, o Revoltados On Line desapareceu. E Reis também. Desde então, passou a viver quase recluso. Ele justifica o comportamento citando perseguições políticas que evita detalhar. A última vez em que se meteu num protesto, em fevereiro passado, levou a pior.

Tomava cerveja com dois amigos no Charme, um bar na Avenida Paulista, quando quatro homens com camisa do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, acampados na região, o provocaram enquanto iam ao banheiro. “Sua cabeça tá a prêmio”, teria dito um dos acampados, que o reconheceu. Alguns goles depois, Reis pediu para um amigo segurar sua bicicleta e o outro, skatista, para filmar. Aproximou-se do acampamento do grupo e, em tom de desafio, perguntou: “Alguém conhece o Boulos? Se eu quiser falar com bandido, falo com ele, o Boulos, o chefe de vocês”, referiu-se a Guilherme Boulos, principal liderança do MTST. Na mesma hora, ele chutou uma barraca do acampamento. A resposta foi imediata: aplicaram-lhe uma surra de socos e pontapés. Abatido, o líder do Revoltados On Line foi ao chão. “Meu joelho tá fodido até hoje”, disse, mostrando a perna. “Pra andar tá um sufoco.”

Se a imagem do líder do Revoltados mudou de incendiária para melancólica, o discurso, por sua vez, permanece intacto. Mesmo depois do banimento do Facebook, Reis segue a linha editorial que deu certo no passado. Ainda grava, todos os dias, vídeos com a tag #LulaNaCadeia para o YouTube. Os números, porém, são bem frustrantes para quem já esteve no topo do mundo digital – as visualizações chegam apenas a poucos milhares por vídeo. As interações nos comentários são muito aquém dos tempos de estrelato. Sem exposição, perdeu o dinheiro das doações e até os seguidores mais fiéis. “A censura me estourou todinho. Minha parte financeira foi pro brejo. Tá totalmente no vermelho.”

Mesmo abatido, ele segue tentando recuperar sua página no Facebook. Quem cuida dos procedimentos jurídicos do caso é Mauro Scheer, o membro que saiu do Revoltados por desavenças ideológicas no começo do ano passado. Assim que a página foi derrubada, Scheer ofereceu ajuda jurídica por crer se tratar de um caso de censura. “Existe esperança em trazer a página de volta ao ar”, disse o advogado. No processo, que ainda corre na Justiça, o Facebook alegou que havia removido diversos conteúdos por desrespeitarem as normas da empresa, e alertado Reis que, se ele continuasse a infringir as regras, a página seria desativada permanentemente.

A ressurreição tem um objetivo: Reis ainda sonha ser deputado. Ele quer concorrer a um cargo federal em 2018. “Estou analisando qual partido é o menos pior”, disse. “É bem difícil entrar nessa questão. Mas vejo que é uma necessidade. Se eu não entrar, eles continuarão do jeito que estão.”

Sua plataforma é anti-imigração. Ele disse ser contra a nova lei, aprovada em maio por todos os partidos, que passa a tratar imigrantes em solo nacional com direitos alinhados às recomendações da ONU e muito similar aos brasileiros natos. “Isso abrirá as fronteiras e os terroristas virão para cá para ficar perto dos Estados Unidos”, alardeou, em referência ao Estado Islâmico. “Primeiro vão entrar disfarçados lá pro lado do Nordeste. Lá pra cima. E aí terá resistência, claro, mas alguns cabeças estão querendo que se implante isso. Já tentaram implantar sistemas parecidos como o bolivarianismo e não conseguiram. Agora a situação é pior. Sou completamente contra essa lei.” No dia em que Reis conversou comigo, ele havia pedido para marcarmos a entrevista para algumas horas antes do combinado. Depois do nosso papo, ele participaria de um ato contra a Nova Lei de Imigração. O problema foi que, como ele perceberia pouco tempo depois, o evento tinha acontecido na noite anterior.

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