close
logorovivo2

ARTIGO: Precisamos de mais mulheres na política?

A professora Celina Guimarães Viana foi a primeira mulher a exercer o direito de voto, em 1927, na cidade de Mossoró – RN.

ADVOGADO MANOEL VERÍSSIMO

27 de Julho de 2018 às 10:14

ARTIGO: Precisamos de mais mulheres na política?

FOTO: (Divulgação)

Neste ano de 2018 se comemoram os 86 anos de conquista do voto feminino, no entanto, vale anotar ainda que, o primeiro voto feminino no país aconteceu 05 anos antes. Foi a professora Celina Guimarães Viana a primeira mulher a exercer o direito de voto, em 1927, na cidade de Mossoró – RN.

 

De lá pra cá, elas tem ocupado espaços de destaque na política nacional. Inclusive, elegeu-se em 2010 a primeira Presidente da República, senhora Dilma Vana Rousseff.

 

Contudo, isso não quer dizer que apesar de uma mulher ter sido conclamada ao mais alto posto político do país, quantitativamente estão em pé de igualdade com os homens. Pelo contrário. Mesmo sendo mais da metade do eleitorado Brasileiro, segundo levantamento do IBGE em 2017, as mulheres representavam apenas 16% dos senadores e 10,5% dos deputados federais em exercício1.

 

Na Câmara, dos 513 deputados federais, apenas 51 são mulheres. No Senado, de 81 vagas, 13 são ocupadas por mulheres. Além disso, em 15 estados não há senadoras, apenas senadores. Já nas Assembleias Legislativas, Câmaras Municipais e Prefeituras, estes números não se mostram melhores.

 

De acordo com o TSE, no pleito de 2014 foram eleitas 11,33% para as assembleias e em 2016 foram 13,51% o percentual de mulheres para as câmaras. Nas prefeituras elas são 11,57%2 . As assembleias legislativas do Amazonas e do Mato Grosso são as que apresentam o menor índice de participação feminina: dos 24 deputados estaduais, apenas uma é mulher.

 

Em contrapartida, o Amapá é o estado que, proporcionalmente, possui o maior número de deputadas estaduais: elas ocupam 9 das 24 cadeiras. O que se percebe é que, apesar do Brasil ter legislação que garante 30% de presença feminina na política, existe no país uma intensa desigualdade quanto à ocupação de cadeiras pelas mulheres.

 

Segundo estudos eleitorais, o descompasso entre a proporção de candidatas e deputadas mulheres em exercício poderia ser atribuído a fatores como falta de 1 https://g1.globo.com/politica/noticia/em-ranking-de-190-paises-sobre-presenca-feminina-emparlamentos-brasil-ocupa-a-152-posicao.ghtml 2 https://www12.senado.leg.br/institucional/procuradoria/proc-publicacoes/mais-mulheres-napolitica-retrato-da-subrepresentacao-feminina-no-poder apoio material às candidaturas femininas, e ao maior sucesso eleitoral dos candidatos que já eram parlamentares anteriormente.

 

Para a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), o problema da subrepresentação das mulheres na política tem sua raiz na subordinação imposta às brasileiras ao longo da história e que continua na sociedade atual. Certo é que, a tardia participação da mulher no processo politico brasileiro se deve - entre outras coisas – pela dupla jornada de trabalho. Culturalmente responsável pelos afazeres domésticos, sempre coube a mulher a responsabilidade sobre cuidado e educação dos filhos, além é claro do “bem estar do marido”.

 

Essa rotina de atividades fez com que elas se dedicassem com maior exclusividade a sua família, delegando muitas das vezes sua participação na vida política para a figura masculina (pai, marido ou irmão). Mal sabiam eles que este fator pesava a favor delas.

 

Com a consciência eminente de formação social, tendo a família como base da sociedade, fez que a experiência ao longo dos anos, naturalmente as conduzissem como exímias agentes políticas. Uma sociedade em equilíbrio tem como base a valorização de temas sociais, vistos com maior sensibilidade pelas mulheres. Isso porque inegavelmente que entre suas características estão a dedicação e organização, predicados que facilitam a ascensão na vida pública.

 

“A preocupação com a formação do conceito de cidadania, valores e princípios entre os jovens norteiam as atividade da mulher enquanto agente politico” revela a vereadora de Porto Velho, Joelma Holder.

 

A também vereadora e apresentadora de TV, Cristiane Lopes entendem que “a forma transparente com que tratam suas pautas - que vão desde o relacionamento com os eleitores até questões que envolvam politicas públicas – justifica a ocupação de espaços até então destinados aos homens”. Por óbvio que precisamos de mais mulheres na política.

 

Além de excelentes gestoras, por essa formulação de políticas públicas diferentes, se mostram menos vulneráveis a corrupção3 . Isso porque estão preocupadas em favorecer políticas que melhoram coisas como a provisão de bens públicos, saúde, educação e bem-estar infantil. Porém, para Dra. Rosa, a advogada e militante partidária “o processo de empoderamento perpassa pela evolução/aperfeiçoamento das regras do 3 https://g1.globo.com/olha-que-legal/noticia/paises-onde-mais-mulheres-estao-no-governo-temmenos-corrupcao-diz-estudo.ghtml processo eleitoral, como por exemplo, a criação de lista fechada com alternância de nomes entre homens e mulheres ou até mesmo as chamadas “”cadeiras rosas””. (cadeiras reservadas ao sexo feminino).

 

Enquanto a direção dos partidos políticos estiver sob o comando de pessoas sem compromisso com o fortalecimento da participação da mulher na política, instrumentos do processo eleitoral como o financiamento de campanhas e coligações partidárias estarão comprometidos, o que inequivocavelmente dificultará o acesso de um maior número de mulheres na política brasileira.

 

A consequência dessa sub-representação da mulher em espaços públicos gera o desrespeito em sua atuação entre os atores do processo eleitoral, como também no ceio doméstico e familiar, motivo pelo qual mecanismos de sobressalto a candidatura feminina não podem ser visto como atalhos, mas sim como forma de expurgar de uma vez por todas a cultura machista que por muito tempo alijou a efetiva participação da mulher na política.

 

Por fim, as eleições que se avizinham além de servirem como campo de aperfeiçoamento dos mecanismos nas cotas de gêneros, devem ser marcada pela sororidade do eleitor com o pleito feminino. Excelentes nomes já estão postos e muito outros surgirão até o dia 15 de agosto, cabendo, inclusive as mulheres, exercerem seu direito de escolha e ampliação do número de nossas representantes no poder.

MAIS NOTÍCIAS

PRIMEIRA PÁGINA
RONDONIAOVIVO TV
DESTAQUES EMPRESARIAIS
PUBLICAÇÕES LEGAIS
COLUNAS